15 Aug
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tatparam purushakhyátêrgunavaitrishnayam
Ao completar o ciclo de abhyása e vairághya para conquistar o nirôdha. o yôgin conquistará o conhecimento do púrusha (púrushakhyati) onde ele ficará indiferente (gunavaitrishnya) aos guna.
Guna literalmente é uma corda ou uma corda de instrumento musical. Mas dentro do sámkhya designa qualidade, peculiaridade, atributo, propriedade.
Designa o gunatraya, os três (traya) atributos ou qualidades presentes em todos os planos da Natureza. São eles: tamas, rajas, sattwa, inércia, movimento e estabilidade respectivamente.
A pronúncia destes termos é “támas”, “rajás” e “sat-tua” (com o ‘t’ mudo seguido de ‘tuá’).
Podemos analisá-los percebendo os gunas no corpo humano, onde os ossos e tendões que representariam o guna tamas são o que dão suporte ao corpo, são densos e no caso dos ossos são inertes. Os músculos o guna rajas, já que eles dão movimento (rajas) e os orgãos internos o guna sattwa já que eles mantém estáveis (sattwa) as funções necessárias a manutenção da vida.
Em uma pedra o guna predominante é o tamas, mas ela é feita de átomos que constantemente estão em movimento (rajas) e por fim esse movimento atômico é que mantém coeso (sattwa) os elementos que compoem a pedra.
Eles existem em todo o lugar e um guna ajuda ao outro a manifestar-se. Por exemplo, no caso da pedra. Se não fosse o movimento (rajas) dos átomos não poderiamos ter a pedra sólida e inerte (tamas).
Em outro exemplo. No vácuo do espaço onde não há atrito e longe de um campo gravitacional. Se jogarmos aquela mesma pedra que é inerte (tamas) ela entrará em movimento (rajas) e por não haver força alguma impedindo o movimento ela irá continuar infinitamente seu deslocamento, ou seja, ficará em um movimento contínuo e estável (sattwa).
Como vê, os gunas são as qualidades primordiais de qualquer manifestação da natureza. A princípio sem uma dessas qualidades (guna) nada no universo ficaria coeso e ele deixaria de existir.
Essa indiferença aos gunas constatada é justamente pelo ângulo de visão do yôgin. Quando ele está imerso nos gunas eles fazem parte de sua vida e para a maioria dos humanos nem é percebida. Um praticante que alcançou determinados níveis de consciência pode ver os gunas “do lado de fora” e percebe que a sua existencia nada mais é do que um mecanismo de manifestação da natureza e acaba se tornando indiferente a esse mecanismo.
Um exemplo do cotidiano: uma pessoa emocionada ao ponto de ficar descontrolada. Seu emocional está operando pelo guna rajas, tão imersa nesta qualidade que é capaz de contaminar os outros que estão a sua volta. Um yôgin indiferente aos gunas observará tal manifestação do guna rajas como um relojoeiro que observa as engrenagens que movimentam os ponteiros e não as horas que os ponteiros marcam.
11 Aug
Nossos sentidos percebem o mundo a nossa volta. Estas experiências sensorias são prazeirosas ou dolorosas. Independente a isso, nossa consciência quer repetir as experiências já vividas, há um desejo latente de reviver tais experiências sensoriais.
Imagine uma experiência prazeirosa. Um jantar romântico onde você apreciou aquele prato saboroso. Há inúmeras experiências acontecendo ao mesmo tempo. Sua consciência irá querer repetir a sensação, contudo, o momento é outro, talvez você só prove o prato e considere que está bom e pense que naquele dia, naquele restaurante foi muito melhor. Esse desejo por querer repetir a experiência mas não conseguir por faltarem elementos é apontado pelos sútras como a falta do vairághya.
Na prática do Yôga temos o mesmo efeito, quando executamos uma determinada técnica e temos uma vivência espetacular e no dia seguinte executamos a mesma técnica no afã de conquistar novamente aquela vivência e nos frustramos quando não conseguimos a mesma performance.
O que não levamos em consideração é que ontem tinhamos dormido melhor, trabalhado na quantidade certa, comemos batatas gratinadas, estudamos, fizemos natação e então executamos a técnica sem o afã de chegar a uma vivência e sim pelo simples fato de fazê-la. Isso é vairághya, o despreendimento.
Já no dia seguinte, todas as variáveis mudaram, o sono, a comida, o trabalho, o esporte, tudo. Ao chegar na prática fomos focados em repetir aquela sensação prazeirosa de ontem e acabamos por frustrá-la justamente por estarmos nos direcionando para o efeito.
Como se para chegar a Roma você tomasse um caminho repleto de flores e ao passar por elas se encantasse pela sua beleza. Em um outro momento ao tomar o mesmo caminho, desviasse sua atenção para o campo florido e acabasse não chegando a Roma e sim as flores.
Exercer o vairághya é tomar o caminho para Roma aproveitando a vista mas sem desviar o curso e parar nas flores. Isso não quer dizer que você não possa apreciá-las, simplesmente terá em mente que a meta é Roma e não as flores.
Esse desvio é causado pela nossa compulsão a aquilo que vem do reino dos sentidos (vishaya). O trabalho do Yôgin é justamente conseguir vivênciar aquilo que vem através de seus sentidos sem ficar desejando repetir a experiência. É tratar cada experiência como única e quebrar o ciclo vicioso de buscar a repetição de uma experiência sensorial.
11 Aug

sa tu dirghakalanaurantaryasatkárá sêvitô dridhabhúmih
No comentário I-12, afirmamos que o abhyása não somente é praticar, mas praticar por um grande período de tempo. Neste sútra há a confirmação de tal premissa.
Pátañjali afirma que a as partes do Yôga (drdhabhúmi) devem ser frequentemente (asêvita) obervadas (satkára) por um grande período de tempo (dírghakála) sem interrupção (narantarya).
Veja o exemplo dado no comentário I-12.
11 Aug
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tatra sthitauyatno’bhyásah
Yatna é o exercício da vontade e sthita é permanecer firmemente em algum lugar ou situação. Abhyása é manter a força de vontade direcionada. Faz referência justamente a prática constante para conseguir o estado de nirôdha
6 Aug
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abhyása vairágyábhyam tannirôdhah
O nirôdha vem através da (ábhi) sucessão initerupta (tan) do vairágya e do abhyása.
Literalmente, abhyása designa a repetição de um exercício ou hábito. Já vairágya é a indiferença para com aquilo que os sentidos percebem ou perceberam.
Quando fazemos um pránáyáma por exemplo, algumas vezes sentimos tédio. Achamos que já fizemos por muito tempo. Isso é a falta do vairágya, nossa mente não sabe o que quer, mas sabe que não quer aquela repetição infinita de mentalizações, respirações, etc. O vairágya é quando conseguimos ultrapassar essa fase de inquietação. Outra forma de vairágya é quando, por exemplo, fazemos um yôganidrá e temos uma vivência superlativa e em outro momento queremos repetir aquela vivência e acabamos por não conseguir justamente por estarmos muito conectados a uma vivência passada. Nesse sentido a dispersão é justamente a memória (smriti) daquela vivência boa. A indiferênça para com aquela vivência boa, a tal ponto de não querermos desesperadamente repetí-la é vairágya.
O Abhyása é a repetição de um determinado conjunto de técnicas por muito tempo, meses as vezes. Não é somente uma técnica, mas um sádhana, ou seja, um conjunto de técnicas para produzir determinados efeitos. Aqui é importante frisar que devemos ter uma prática balanceada, pois imagine fazer musculação somente no braço direito. Em algum tempo você conseguiria algum problema estrutural. Será que o mesmo não acontecerá se você só meditar? Swámi Shvánanda dizia que todo desenvolvimento unilateral é pernicioso.
6 Aug
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Anubhúta vishayásampramôshah smritih
Smriti é literalmente memória, para o autor destes sútras é definido como um período (visha) de percepção (ánubhuta, qualquer percepção dos sentidos) que é carregada ou levada (sampramôsha).
Considerado uma instabilidade pois alimenta os chittavrittis. É através da memória que muitas de nossas funções mentais conseguem funcionar. A memória também é uma das portas possíveis para adentrarmos em nosso inconsciênte, principalmente se utilizada para fazer Yôganidrá.