Escrito em dezembro 16, 2007 | Categoria: Principal
Não é minha intenção explicar a fundo o que é pújá e o que o porquê o fazemos. Basta dizer que é para treinar aquele sentimento gostoso de gratidão que temos a uma pessoa que é ou foi muito importante para nós.
É a parte mais importante da prática de Yôga pois é com ela que criamos os vÃnculos conscientes e inconsciêntes com os arquétipos mais ancestrais do Yôga através daqueles que estão mais próximos, no caso o instrutor e posteriormente com o seu Mestre. Querendo mais informações sobre pújá sugiro ler o Tratado de Yôga, DeRose e o A força da Gratidão (pújá), Sérgio Santos. Pode ver o capÃtulo de pújá gratuitamente na primeira parte do Faça Yôga antes que você precise disponÃvel no site da Universidade de Yôga.
Honra, reverência, homenagem a alguém que o antecedeu. Estas são algumas traduções e possibilidades de pújá. O termo báhya designa: parte externa, exterior, algo do lado de fora. O termo manasika designa algo feito ou concebido somente em nossa mente. Bháva é o sentimento que confere poder a ação que esteja fazendo, literamente designa: existir, tornar a ser, tornar verdadeiro, verdade (no sentido de existência). Pronto assim temos todos os termos que irei usar daqui para frente.
Antes, o báhya pújá era utilizado somente em ocasiões especiais: aniversários, comemorações, etc. Mas com o tempo, vimos que o praticante achava que só precisava mentalizar e pronto, o seu compromisso já estava concluido.
Algo como se eu rezar bastante vou passar no vestibular, mas não estudo nada, só rezo. Que efeito isso tem? Para tentar resolver isso, começamos a estimular dentro do anga pújá do sádhana ortodoxo a ação efetiva, o báhya pújá.
Manasika pújá é feito em nossa mente e deve ser revestido de bháva. Nesse sentido, báhya pújá é “feito do lado de fora” de nossa mente. Mesmo quando fazemos a variação mental, usual no segundo anga da prática ortodoxa de Swásthya, devemos aplicar o bháva. Isso é feito mentalizando como se aquela ação estivesse acontecendo realmente naquele instante. E está, mas em um plano mais sutil de existência que é o da mente e isso com o tempo irá sendo densificado até chegar no plano fÃsico denso considerado o “real” para a maioria da população.
Por exemplo: eu mentalizo que de mim emana uma luz azul celeste por todo o ambiente para prepará-lo para minha prática e aplico o bháva para que a intenção seja de que aquele ambiente fique cada vez mais propÃcio ao desenvolvimento interno. Com o passar do tempo eu começo a deixar a mentalização mais especÃfica imaginando que mais pessoas praticam comigo, para que um incentive o progresso do outro, que a sala tem um piso especial, livros em estantes, enfim, não há limite para a criação mental.
Ao reforçar a mentalização prática após prática, vamos criar o arquétipo que nos deixará proprÃcios a aquilo que mentalizamos e daqui a pouco algum amigo pergunta se pode praticar com você e lhe trás alguns livros de presente. Outro amigo aparece com um EVA para praticar e vocês resolvem comprar em conjunto para forrar a sala… E com todos esses elementos a sala fica mais propÃcia ao auto-desenvolvimento, exatamente aquilo que você tinha mentalizado antes, a matéria mental com o tempo foi se densificando até existir em um plano mais denso.
Se quisermos acelerar o processo podemos optar por assim que realizarmos o manasika pújá procedermos o báhya pújá, ou seja, o pújá feito do lado de fora da mente.
No pújá você mentaliza que a sala fica com um piso especial, que outras pessoas veem praticar com você, livros para estudo, etc. Assim que termina o sádhana (prática) você pega uma furadeira para poder pendurar a estante que logo conterá os livros para o seu estudo.
Pronto, você acabou de fazer a ação efetiva do pújá. Em sânscrito: báhya pújá. Tirou de dentro de sua mente e fez o “do lado de fora” dela. Mas atenção: a ação deve conter os mesmos elementos que caracterizam o manasika pújá: o bháva e a sinceridade. É um pleonasmo falar bháva e sinceridade, pois ele não existe sem sinceridade, mas é bom deixar explÃcito.
Ao colocar a estante tendo em foco que aquela é a ação que você elegeu para reforçar o seu manasika pújá. Se fizermos as ações por mero fazer, por mero protocolo então não servirá em nada.
Como instrutor de Swásthya, é importante para mim deixar claro aos alunos na hora do pújá que eles podem reforçar e agilizar o processo de “densificar o pensamento” elegendo uma ação, por mais simples que seja para reforçar aquilo que acabaram de mentalizar. É importante a coerencia entre o que foi mentalizado e a ação eleita.
Vamos dar um exemplo bem estúpido e nonsense mas é para ajudar nas sinapses nervosas: não adianta nada dizer para mentalizar emanação de luz azul celeste para deixar o ambiente propÃcio a prática e somente dizer: “como ação efetiva limpe a lixeira da sala de prática”. Ok, isso até poderia ser parte de deixar o ambiente mais asseado e assim mais propÃcio a prática, mas será que o praticante entendeu a reticência não explicitada entre a mentalização e a ação? Será que não valia a pena você ter gasto alguns segundos fundamentando no que aquela ação iria contribuir no progresso do praticante?
É importante dar alternativas, pois não faz parte de nossa cultura agradecer antes de receber. Eu diria que não é uma questão de agradecer, é uma de ajudar, de gerar aquele sentimento de compromisso. Algo como aquela pessoa que arruma a cama não somente para ficar arrumado, mas por que gosta de dormir em cama arrumada.
É importante dar alternativas, pois a parte mais importante do pújá é a sinceridade e expontaniedade e como é um conceito novo para ele, o praticante irá demorar algum tempo para entender e ele precisa de exemplos para que no futuro ele mesmo gere a ação que irá proceder para reforçar a mentalização.
O praticante deve fazer a ação por que ele sentiu que assim realmente estará colaborando e ajudando. A ação deve ser uma forma de gratidão expontanea do praticante. Se assim não o for e existir por mero protocolo, então não serviu para o principal motivo: alavancar o progresso do praticante.
Cuidado para que a a descrição de sua ação efetiva não seja mal interpretada pelo praticante, assim como você toma cuidado para seguir nossa linha sámkhya e não utiliza termos ou frases notoriamente utilizados por correntes mÃsticas ou espiritualistas. Nada contra essas correntes, mas é importante deixar claro o nosso posicionamento para que cada um seja livre em escolher a interpretação que melhor lhe aprouver.
Caso ouça alguma coisa que achou de mal gosto na ação efetiva do pújá, chame seu instrutor em um momento reservado e diga-lhe que não conseguiu entender como aquela ação pode contribuir para reforçar o que foi mentalizado.
Eu sou profissional a 7 anos e sei muito bem que por melhor que a intenção do instrutor seja as vezes não conseguimos explicá-la de forma satisfatória.
Isso acontece em outros momentos como por exemplo no ásana onde tentamos descrever a posição, mas o aluno não consegue executá-la, felizmente naquele anga podemos com nossas próprias mãos pegar no aluno e colocar o pé aqui, a mão acolá, a coluna ereta, o joelho estendido, etc. Eu sempre digo para meus alunos: posso concertar a forma, mas não o conteúdo. Se eu digo para mentalizar azul e o aluno mentaliza fruta-cor como é que eu vou saber que ele está fazendo errado?
Se as vezes é difÃcil descrever de forma eficiente uma posição corporal sem precisar de demonstração, imagine o que é descrever uma intenção onde não há como demonstrar? Seu instrutor está em constante aperfeiçoamento e invariavelemente irá cometer falhas pois ele está ganhando experiência de COMO passar adiante as técnicas que aprendeu. Por isso é importante o seu feedback.
» Arquivado em Principal
dezembro 17th, 2007 at 15:38
Ótimo texto Marco!
novembro 2nd, 2008 at 14:33
[...] Leia mais sobre pújá efetivo clicando aqui. [...]