Treinamento através da ótica shakta

Escrito em abril 9, 2009 | Categoria: Português, Principal

Arthur Costi é Instrutor de Swásthya Yôga, Método DeRose. Talvez seja uma das pessoas com a melhor performance que eu conheço. Seu treinamento para quem está olhando pela primeira vez parece de tirar o fôlego. Contudo, veja o que ele pensa sobre treinamentos arduos. Antes, conheça a sua performance:


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Treinamento através da ótica shakta.

por Arthur Costi

Como o SwáSthya é uma metodologia com raízes no shaktismo (dakshinacharatantrika) é de vital importância que adotemos uma abordagem mais matriarcal com relação à nossa rotina de treinamento, para isso precisamos primeiro entender como o shaktismo enxerga o corpo e suas funções.

Para a corrente comportamental shakta o nosso corpo é nossa principal ferramenta para a evolução interior, logo deve ser desenvolvido e utilizado em toda a sua plenitude e funcionalidade, ao invés de rejeitarmos e renunciarmos às funções orgânicas como propõe a corrente brahmachárya vamos aprimorá-las ao máximo para em última instância nos identificarmos com a vida que preenche cada célula de nosso organismo e que permeia a todo o cosmos.

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Arthur Costi em uttana mahákakásana

Frequentemente acontece ao iniciarmos uma rotina consistente de treinamento acabamos gerando uma atitude para nós mesmos oposta ao que a Nossa Cultura propõe. No afã de conquistar o resultado e também por imaturidade, inexperiência queremos sentir o nosso corpo apresentando os progressos o quanto antes. Oras, não foi da noite para o dia que aprendemos a andar, porque no quesito das técnicas orgânicas seria diferente? Procuremos pensar agora num prazo mais longo, imagine-se demonstrando coreografia com 50 anos ou mais, que tipo de treinamento é necessário para conseguir fazer o corpo se adaptar e gerar um progresso mas que isto não acarrete em lesões irreversíveis ao longo do tempo que o façam parar obrigatoriamente?

Se utilizarmos a ótica patriarcal de treinar até a exaustão (muito apreciada em nossa sociedade atual), ignorando nosso organismo como um templo e tratando-o como mera máquina, forçando e agredindo o corpo humano para que ele apresente os resultados não é necessário muito raciocínio para concluir que esse ritmo é insustentável por décadas a fio. Mas seria então possível gerar um ritmo de treinamento realmente consistente, que exigisse uma atividade considerável e gerasse um progresso constante sem comprometer as articulações e o organismo em geral a ponto de conseguirmos fazer uma coreografia ainda mais impressionante mesmo na fase final da vida? A resposta é sim, é possível.

Como? Irão questionar; a chave, como falei anteriormente é o treinamento inteligente, e como definir um treinamento inteligente? Para isso vamos recorrer às nossas raízes matriarcais e ver como o shaktismo interpreta a inteligência através da natureza.

Procuremos analisar a evolução dos organismos desde sua origem no oceano terrestre há alguns bilhões de anos quando apenas seres unicelulares habitavam a grande sopa cósmica que era o nosso oceano, o lar de onde todos viemos, através do processo de seleção natural e adaptação fomos evoluindo de seres unicelulares até os pluricelulares, com eles foi definida a sexualidade ao gerarem-se os sexos opostos permitindo a profusão genética e possibilitando a transferência de aprendizado genético muito mais rapidamente entre a espécie, fator decisivo que acelerou ainda mais o processo evolutivo baseado na adaptação com relação ao meio e às circunstâncias às quais estamos vivendo. E assim as espécies foram evoluindo, ou melhor, adaptando-se em relação ao seu meio através do tempo até os dias atuais e assim continuará indefinidamente.

arthur-costi-swasthya-yoga-metodo-derose2Certo, e o que isso tem a ver com a inteligência? Resposta: isso é a inteligência (que para o shaktismo representa a energia da criação, Shakti) . Você não precisa pensar e comandar o seu corpo para sintetizar mais proteínas e construir mais tecidos, o seu corpo sabe como realizar isso e aprendeu ao longo de milhões de anos de adaptações ao meio vigente. E será esta inteligência que fará com que nosso organismo se adapte as circunstâncias que propormos para ele, no nosso caso específico o treinamento para a coreografia. Muito bem então basta exigir e nosso corpo se adaptará às circunstâncias que impormos a ele? Quase lá, agora vamos analisar outro fator que será determinante para entendermos melhor como funciona essa inteligência e como utilizá-la a nosso favor.

Sabemos que no cosmos os recursos são limitados, logo mesmo uma estrela de tamanho colossal algum dia irá esgotar seus recursos (hélio e hidrogênio) e irá morrer tornando-se uma supernova, anã branca ou até mesmo um buraco negro dependendo de sua massa e força gravitacional. Se os recursos são limitados precisamos saber como utilizá-los sem ultrapassar a capacidade particular de cada organismo.

Vamos agora observar como nosso corpo se comporta sob as mesmas regras que regem as estrelas, já que para o shaktismo o nosso corpo é uma cópia exata do universo. Possuímos em nosso corpo tecidos, músculos, articulações e todo um sistema biológico perfeitamente adaptado para nossa sobrevivência atual, através das técnicas do SwáSthya Yôga iremos ampliar em muito a capacidade de armazenar e gerar energia em nosso organismo mas ainda assim essa energia será limitada no aspecto físico. Ao iniciarmos o treinamento iremos gerar uma demanda biológica, uma maior necessidade de oxigenação celular, aumento de flexibilidade articular, aumento de força isométrica, ampliação da percepção corporal e muito mais. Ao gerarmos essa demanda o nosso corpo irá compensar procurando adaptar-se ao novo paradigma, pois é isso o que a natureza faz, é um sistema que se auto-corrige de acordo com leis de oferta e demanda, as mesmas por sinal que regem a nossa economia, interessante notar, pois apesar de todas as mudanças que fizemos em nosso meio, ainda somos filhos da natureza, e por isso é natural que reflitamos seu comportamento em alguns aspectos (espero para o nosso próprio bem que possamos refletir mais aspectos da natureza logo!). Então ao gerarmos uma demanda e com isso uma resposta de nosso corpo para se adaptar criamos um ciclo que irá construir os resultados que desejamos sem agressão e sem um comprometimento para o futuro desde que a demanda respeite o limite biológico do nosso corpo, devemos lembrar que os recursos não são ilimitados, portanto deve-se gerar uma demanda suficientemente grande para impor uma aceleração, mas ela não deverá ultrapassar o seu limite para aquele momento (limite este que se ampliará cada vez mais com o treinamento) pois senão a lesão ocorrerá e o colapso do sistema o fará parar e comprometer todo o ritmo do treinamento podendo inclusive ter que abrir mão de toda a carreira de demonstrador se for irreversível. Então na dúvida opte pela moderação, aprenda a ouvir e principalmente sentir o seu organismo, ele fala claramente se você está abusando ou se ele está adaptando-se facilmente ao novo paradigma orgânico, isso não significa evitar a dor e o desconforto, apenas sentir e perceber se essa dor é devido ao esforço natural de tirar o seu corpo da inércia ou se é uma agressão ao organismo, devemos durante o treinamento exigir bastante e nos esforçarmos para nos superar e às vezes isso exige uma certa dose de abnegação e entrega ao processo de construção de uma nova realidade orgânica, as mudanças exigem atividade, e isso gera desconforto para organismo no princípio, o ideal é que após 2 semanas de treinamento constante ele fique metabolizável a ponto de você sentir muito pouco ou nada no dia após o treino.

arthur-costi-swasthya-yoga-metodo-derose3Concluindo então não se trata apenas de tratarmos nosso corpo como uma máquina que após x horas de treino irá gerar o resultado esperado sem nenhum inconveniente, na realidade isso irá acontecer apenas se você sentir e encarar o seu corpo como ele realmente é , uma expressão da vida em suas mais variadas formas, se respeitarmos o seu ritmo biológico a inteligência corporal fará o resto para gerar o resultado que almejamos, acima de tudo trata-se de uma atitude perante si próprio, ao nos identificarmos com a vida do nosso organismo (objetivo último do shaktismo) assimilamos seu ritmo e naturalmente vamos adequando nosso treinamento ao nosso ritmo biológico, essa consciência aliada às técnicas gera uma possibildade de sucesso e desenvolvimento que eu arrisco dizer aproveitam o corpo em sua totalidade.

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    6 Responses to “Treinamento através da ótica shakta”

    1. 6
      Vivianne Lima Says:

      Somos professores numa mesma academia, o Arthur Costi de swasthya yôga, adotando uma prática heterodoxa, e eu, de pilates, superlocal, spinning e etc…Já pratico o Swásthya Yoga na Unidade do Bom Retiro onde tenho objetivo de me tornar instrutora, e comecei a frequentar as aulas do Arthur Costi como uma forma a mais de treinamento…me sinto orgulhosa de ser sua aluna pois admiro o seu trabalho, esforço e dedicação…É uma pessoa que podemos ter como exemplo de comportamento e sentimento gregário. Parabéns Arthur!!!! Você merece!!!


      Já redirecionei a mensagem para o Arthur.

      Abraços

    2. 5
      Mica Fretta Says:

      Muito bom, parabéns.

    3. 4
      Rogerio Brant Says:

      Adorei o que você escreveu amigo, fico torcendo para muitos neófitos sigam os seus passos.
      Um grande abraço.

      Rogério Brant

    4. 3
      hemerson Says:

      me recorod de uma vez que conversei com arthur sobre oqye qye chamei de “macaquices” afinal os limeites dele são muito superiores aos da média.
      Eu falei pra ele mas não tem como subir, sempre caio.
      Ele na sua sabedoria e simplicidade disse:
      -”vai tentando, no começo eu só caía, depois de algum tempo tentando você consegue”.
      Veja o que ele faz hoje, é fruto sobre tudo de uma vontade inquebrantável… creio que isso por si só já faz o sucesso um caminho natural e progressivo.
      Grande abraço Arthur.

    5. 2
      Rômulo Justa Says:

      ..e no shaktismo, a filosofia se fez carne… muito bom, Arthur é exemplo vivo de tudo o que diz e isso é raro hoje em dia…

      Agora, se jogaram esse texto na parede de uma academia, ela desmorona… hehehe

      Abraços

    6. 1
      sonia monteiro Says:

      uau! Sou fã do Arthur e admiro muito a sua coreografia! Parece mesmo que desafia a gravidade. Aguardamos a sua visita a Portugal para nos deliciar ao vivo! Parabéns! Inspirador

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