Escrito em outubro 15, 2009 | Categoria: Comentários do Yôga Sútra, Português
Tápaḥ swádhyáyêshwara praṇidhánáni Kriyá Yôgaḥ
Aqui Pátañjali indica um tipo de Yôga chamado Kriyá Yôga que consiste em três prescrições éticas do Yôga clássico: auto-superação, auto-estudo e auto-entrega.
Vertentes modernas dizem que o Kriyá Yôga é a união do Karma Yôga, Jñána Yôga e Bhaktí Yôga, são claramente de tendência vêdánta .
A afirmação de que o Kriyá Yôga seria a união de outros três tipos de Yôga de uma certa forma faz sentido já que eles consideram tápas uma forma de ação desinteressada; o swádhyaya (auto-estudo) realmente faz parte do Jñána Yôga; e por fim, eles consideram que íshwara pranidhána é uma forma de culto ao íshwara o que vai de encontro aos tipos de Bhaktí Yôga modernos.
Contudo, acho que não era exatamente a união de três tipos de Yôga aquilo que Pátañjali se referiu aqui neste sútra.
DeRose conta que quando era jovem e estava atrás de um professor entrou em uma escola de Kriyá Yôga que o fez fazer milhares de provas iniciáticas para ser aceito e iniciado nos “segredos” deste que era o mais poderoso yôga de todos.
Para todo mestre hindu, o seu yôga é o mais poderoso do mundo. Isso faz parte do sistema pedagógico deles.
Segundo DeRose, a última prova era a promessa de que nunca revelaria como era o Kriyá Yôga, já que o conhecimento era secreto. Feito as provas iniciáticas que duraram um bom tempo ele finalmente foi instruído no que consistia o Kriyá Yôga e teve uma decepção: ele já sabia!
Na conversa em que ele contou essa história, mencionou que livros de Kriyá Yôga falam do começo ao fim, um monte de coisas, mas ao chegar ao final do livro você não fica sabendo o que é esse tipo de yôga.
Na pesquisa realizada encontrei as duas vertentes: a que não fala nada e a que diz que ele é a união de outros três tipos de Yôga.
Certa vez, dando aula em uma grande academia de Curitiba, fui ensinar kriyás. Um ramo de técnicas para limpar as mucosas e purificar o corpo. Não tem nenhuma conexão com o Kriyá Yôga, a não ser o primeiro nome.
No final da aula o neófito veio me perguntar se eu conhecia o Kriyá Yôga, e eu larguei sem pestanejar: “até onde eu saiba é um tipo de yôga que consiste em 3 normas éticas: auto-superação, auto-estudo e auto-entrega”. Ele arregalou os olhos e me contou uma história muito parecida com a que eu ouvi do DeRose: que os livros não contavam o que era e as aulas eram preleções intermináveis que só reforçavam o quão secreto era o Kriyá Yôga.
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outubro 18th, 2009 at 14:07
tem conclusão?