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I-1 Atha Yôgánushásana

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I-1 Yôgash chittavrittinirôdhah

Uma tradução possivel para estes dois sutras é: I-1 - Agora o ensinamento do Yôga. I-2 - Yôga é a supressão da instabilidade da consciência (tradução do Prof. DeRose). Esta forma de dizer sobre o que irá dizer e logo após dar uma definição demonstra um raciocínio muito lógico, característica do sámkhya.

Sámkhya quer dizer número, no sentido de enumeração. A tradição sámkhya é naturalista, ou seja, atribui a causas naturais todos os efeitos. A tradição oposta a ele é o Vêdánta que é espiritualisa, atrubuindo causas sobre-naturais a todos os efeitos. Agora você pode estar se perguntando quem é que em sã consciência atribuiria causas sobre-naturais as coisas? Pois bem, nossa sociedade faz isso o tempo todo, basta alguém dizer: “foi vontade de Deus…” esse é um exemplo dentro de nossa cultura ocidental. O Vêdánta é assim. O Yôga pode ser de linha Sámkhya ou Vêdánda. Para dar um exemplo concreto, imagine um respiratório que almenta a quantidade de oxigênio no sangue. Essa quantidade extra causa percepções mais sutis nos sentidos causando uma sensação de euforia imediata. Um Yôgin de tendência sámkhya iria atribuir a sensação ao fato de ter respirado diferente. Um Yôgin de tendência vêdánta poderia atribuir aquilo a um contato divino ou a uma elevação do espírito. Quem está certo? Os dois. São só pontos de vista e explicações para as consequências da prática, mas a técnica em si, o Yôga, permanece inalterado. O problema é que nós ocidentais confundimos os meios com os fins e com as explicações e achamos que tudo é a mesma coisa gerando a barafunda que faz com que cada um tenha uma opinião diferente.

Nos textos sámkhyas sempre começam dizendo o que irá ser tratado e definindo cada um dos termos, assim como muitos filósofos modernos. Já um texto vêdánda começa fazendo uma exaltação a uma divindade. Esta forma de anunciar e depois definir vai se extender até o final do tratado de Pátañjali. Os termos empregados são os de escolas reconhecidamente sámkhya. Por fim, podemos concluir que realmente o Yôga que Pátañjáli deixou para a posteridade é naturalista.

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