Comentários dos Sútras I-15 – Vairágya

Escrito em agosto 11, 2007 | Categoria: Comentários do Yôga Sútra

Nossos sentidos percebem o mundo a nossa volta. Estas experiências sensorias são prazeirosas ou dolorosas. Independente a isso, nossa consciência quer repetir as experiências já vividas, há um desejo latente de reviver tais experiências sensoriais.

Imagine uma experiência prazeirosa. Um jantar romântico onde você apreciou aquele prato saboroso. Há inúmeras experiências acontecendo ao mesmo tempo. Sua consciência irá querer repetir a sensação, contudo, o momento é outro, talvez você só prove o prato e considere que está bom e pense que naquele dia, naquele restaurante foi muito melhor. Esse desejo por querer repetir a experiência mas não conseguir por faltarem elementos é apontado pelos sútras como a falta do vairághya.

Na prática do Yôga temos o mesmo efeito, quando executamos uma determinada técnica e temos uma vivência espetacular e no dia seguinte executamos a mesma técnica no afã de conquistar novamente aquela vivência e nos frustramos quando não conseguimos a mesma performance.

O que não levamos em consideração é que ontem tinhamos dormido melhor, trabalhado na quantidade certa, comemos batatas gratinadas, estudamos, fizemos natação e então executamos a técnica sem o afã de chegar a uma vivência e sim pelo simples fato de fazê-la. Isso é vairághya, o despreendimento.

Já no dia seguinte, todas as variáveis mudaram, o sono, a comida, o trabalho, o esporte, tudo. Ao chegar na prática fomos focados em repetir aquela sensação prazeirosa de ontem e acabamos por frustrá-la justamente por estarmos nos direcionando para o efeito.

Como se para chegar a Roma você tomasse um caminho repleto de flores e ao passar por elas se encantasse pela sua beleza. Em um outro momento ao tomar o mesmo caminho, desviasse sua atenção para o campo florido e acabasse não chegando a Roma e sim as flores.

Exercer o vairághya é tomar o caminho para Roma aproveitando a vista mas sem desviar o curso e parar nas flores. Isso não quer dizer que você não possa apreciá-las, simplesmente terá em mente que a meta é Roma e não as flores.

Esse desvio é causado pela nossa compulsão a aquilo que vem do reino dos sentidos (vishaya). O trabalho do Yôgin é justamente conseguir vivênciar aquilo que vem através de seus sentidos sem ficar desejando repetir a experiência. É tratar cada experiência como única e quebrar o ciclo vicioso de buscar a repetição de uma experiência sensorial.

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    One Response to “Comentários dos Sútras I-15 – Vairágya”

    1. 1
      Karma Yôga - A Ação desinteressada | Swásthya Yôga - A Cultura Says:

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