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tatparam purushakhyátêrgunavaitrishnayam

Ao completar o ciclo de abhyása e vairághya para conquistar o nirôdha. o yôgin conquistará o conhecimento do púrusha (púrushakhyati) onde ele ficará indiferente (gunavaitrishnya) aos guna.

Guna literalmente é uma corda ou uma corda de instrumento musical. Mas dentro do sámkhya designa qualidade, peculiaridade, atributo, propriedade.

Designa o gunatraya, os três (traya) atributos ou qualidades presentes em todos os planos da Natureza. São eles: tamas, rajas, sattwa, inércia, movimento e estabilidade respectivamente.

A pronúncia destes termos é “támas”, “rajás” e “sat-tua” (com o ‘t’ mudo seguido de ‘tuá’).

Podemos analisá-los percebendo os gunas no corpo humano, onde os ossos e tendões que representariam o guna tamas são o que dão suporte ao corpo, são densos e no caso dos ossos são inertes. Os músculos o guna rajas, já que eles dão movimento (rajas) e os orgãos internos o guna sattwa já que eles mantém estáveis (sattwa) as funções necessárias a manutenção da vida.

Em uma pedra o guna predominante é o tamas, mas ela é feita de átomos que constantemente estão em movimento (rajas) e por fim esse movimento atômico é que mantém coeso (sattwa) os elementos que compoem a pedra.

Eles existem em todo o lugar e um guna ajuda ao outro a manifestar-se. Por exemplo, no caso da pedra. Se não fosse o movimento (rajas) dos átomos não poderiamos ter a pedra sólida e inerte (tamas).

Em outro exemplo. No vácuo do espaço onde não há atrito e longe de um campo gravitacional. Se jogarmos aquela mesma pedra que é inerte (tamas) ela entrará em movimento (rajas) e por não haver força alguma impedindo o movimento ela irá continuar infinitamente seu deslocamento, ou seja, ficará em um movimento contínuo e estável (sattwa).

Como vê, os gunas são as qualidades primordiais de qualquer manifestação da natureza. A princípio sem uma dessas qualidades (guna) nada no universo ficaria coeso e ele deixaria de existir.

Essa indiferença aos gunas constatada é justamente pelo ângulo de visão do yôgin. Quando ele está imerso nos gunas eles fazem parte de sua vida e para a maioria dos humanos nem é percebida. Um praticante que alcançou determinados níveis de consciência pode ver os gunas “do lado de fora” e percebe que a sua existencia nada mais é do que um mecanismo de manifestação da natureza e acaba se tornando indiferente a esse mecanismo.

Um exemplo do cotidiano: uma pessoa emocionada ao ponto de ficar descontrolada. Seu emocional está operando pelo guna rajas, tão imersa nesta qualidade que é capaz de contaminar os outros que estão a sua volta. Um yôgin indiferente aos gunas observará tal manifestação do guna rajas como um relojoeiro que observa as engrenagens que movimentam os ponteiros e não as horas que os ponteiros marcam.

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