Escrito em julho 24, 2010 | Categoria: Português, Principal
Em meu singelo léxico mental, decepção é o sentimento resultante e esperado da expectativa excessiva e não concretizada sobre um evento ou atitude de uma pessoa.
Acredito que a maior dor da decepção não é fulano não ter feito o que você esperava dele, é ter que lidar com o fato de que foi você quem ficou esperando demais.
Acho até poético que esperança seja prima do verbo esperar esperar. Simples assim: a decepção é filho da esperança-de-alguém que esperou sobremaneira algo de alguém.
Por aqui eu poderia parar o post, pois já falei aquilo ao qual tinha vindo, mas como eu sei que em um futuro próximo irão me perguntar:
A melhor forma é não se decepcionar, aproveite o momento emocional para reprogramar suas atitudes para não esperar nada de ninguém. Por aqui eu também poderia parar, mas como isso leva a segunda pergunta:
Sim, também acho difícil isso, mas pelo menos é possível reduzir isso a níveis recomendados pela OMBS (Organização Mundial do Bom Senso).
Pense comigo, você se decepcionou pois esperava que beltrano se lembrasse do seu aniversário. O papa também não lembrou do seu aniversário, tampouco o carteiro, talvez o Seu Joaquim da padaria lembrou… A primeira frase que virá em nossa mente é: mas que me importa que todas essas pessoas não se lembraram, para mim era importante que Beltrano lembrasse de mim.
Bom, qual a diferença entre o carteiro e Beltrano? Do carteiro você não esperava nada, mas de Beltrano sim. Logo, você é o causador de sua decepção não é? E isso é que mais doi na gente, somos nós mesmos que enfiamos o garfo em nossos corações.
Pergunte-se mais, por que é importante que Beltrano lembre do meu aniversário? Algumas respostas poderiam ser:
Para a resposta número um: e por que é importante que ele se importe?
Para a resposta número dois: você ama tudo o que lembra?
Para a resposta número três: ah… você entendeu né?
Dependa mais de você e menos das pessoas, seja financeiramente ou emocionalmente. É mais fácil você fazer o que sempre fez e eventualmente ser agraciado por alguma atitude de outrem que lhe agrade do que ficar paranoicamente esperando que as pessoas ao seu redor lhe agradem sempre.
E tenho dito…
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agosto 25th, 2010 at 8:27
Há muitos anos vi esta frase “felizes os que nada esperam, pois não serão decepcionados”. Foi uma lição que aprendi e exercito diariamente e isso é muito libertador ! Me livrei da ansiedade, da expectativa, do nervosismo. Hoje vejo as situações de maneira diferente, simplesmente porque as pessoas não tem a obrigação de satisfazer minhas expectativas, nem eu tenho que satisfazer as delas, a gente só tem que fazer o nosso melhor .
Então não me estresso mais, aproveito para tirar de cada situação o melhor possível, o trânsito está engarrafado, tranquilo, respiro, escuto música, ligo avisando que vou me atrasar e pronto, não é nada que eu possa resolver, então aceito e aproveito.
É mais fácil e legal viver assim, faça bem sua parte, seja responsável por você e por aqueles que dependem de você, não espere nada dos outros, seja grato por tudo aquilo recebe e tem, seja grato pelo ar que entra nos seus pulmões, por mais um dia de vida, por saber ler, pela vida que tem, por tudo.
As coisas, boas e ruins, acontecem, faz parte da Vida então siga em frente.
Felicidades a todos!
Felicidades! e Abraços!
agosto 23rd, 2010 at 11:42
Acredito que nós somos os responsáveis pela nossa própria felicidade. E com certeza concordo com você que não é culpa do outro se nos decepcionamos, mas sim nossa culpa, por exagerar na expectativa.
A partir do momento que assumimos a responsabilidade pelos nossos problemas e deixamos de culpar o outro por tudo, deixando de ser dependentes dos outros, damos um passo rumo à nossa própria felicidade.
É isso ae! Abraços
julho 29th, 2010 at 13:31
Sobre desapego e decepção.
Acredito de fato que temos que ser menos melindrosos e criar menos expectativas em relação aos outros. Mas acredito também, que o que diferencia sobre a forma como nos relacionamos afetivamente com uma pessoa (aquela com quem temos vontade voltar para casa todo dia, independente do que haja – você mencionou algo parecido com isso em outro post) das demais, é o fato de nos importarmos com ela.
Sei que diverge completamente do que você pensa, mas vejo o desapego como uma grande indiferença ao outro, como também, uma boa forma de fugir de certas situações. Pessoas com grandes desilusões amorosas podem achar que desapegar-se é um modo de não sofrer, onde, na verdade ele deveria aprender superar o sofrimento e não fugir dele.
Porém, defendo ainda, que uma boa conversa franca, clara, priva as pessoas de qualquer tipo de sofrimento.
Muito pelo contrário. Concordo plenamente com você. Não estou afirmando que você deva não se importar mais com aqueles que ama e também não considero um procedimento saudável a fuga…
Não esperar nada dos outros não significa que você não se importe com eles. Acho que temos que fazer com que as coisas signifiquem o que ela realmente são. Penso que esperar que fulano faça o que eu espero dele seja também uma fuga, muito parecida com a da pessoa que teve uma grande desilusão amorosa.
Abraços.
julho 27th, 2010 at 5:54
kkkkkk, adorei!
julho 26th, 2010 at 21:05
Arthur Schopenhauer tem um livrinho chamado A Arte de Ser Feliz, onde ele discorre basicamente sobre isso de lidar com a decepção e sobre não gerar expectativas como forma de evitar sofrimento. Muito bom!
É um grande balde de água fria quando a gente começa a treinar esse desapego, esse de não se decepcionar com as pessoas e as situações da vida. O primeiro impulso é sempre se ofender profundamente, né?
Nós somos muito melindráveis.. por qualquer coisa.. com qualquer pessoa…