Como um Coração deste tamanhinho pode amar duas pessoas?

Escrito em novembro 23, 2008 | Categoria: Português, Principal

Quando essa pergunta me foi feita, eu estava tão embaraçado que eu não consegui responder a contento. Depois, revendo as fitas mentais, fiquei inquieto pela minha inaptidão.

Como um coração deste tamanhinho pode amar duas pessoas?

Aquilo que habita em nossos corações é mais infinito que o universo, este limitado pelas nossas próprias escolhas.

Amar para mim é estar de tal forma conectado a  uma pessoa que a minha felicidade cresce na mesma medida que a felicidade da outra pessoa. Amar para mim é o companheirismo, o afeto, o carinho, a reciprocidade, a proximidade, a intimidade, o se importar de verdade, o suporte, os horizontes cruzados.

Dentro do que sinto, quero estar conectado a pessoas para que a minha felicidade possa ser a do outro. Que a felicidade do outro possa ser a minha própria. Que o carinho, o afeto, a reciprocidade, a proximidade e a intimidade possam ser não só uma estrada que leva a dois pontos, mas uma via que conecta pontos para nos fortalecer.

Amar duas pessoas, em nossa cultura, é sinônimo de estar enganando alguém. Por que seria necessário enganar alguém para poder amar duas pessoas? Será que realmente o amor é tão maligno assim que precisemos enganar para poder amar?

Para os descrentes, esta formula funciona para mim há 8 anos (com a mesma pessoa). Relacionamento aberto não é sinonimo de descaso. É sim, sinônimo de um gigantesco respeito mútuo. Nós nunca brigamos em 8 anos de relacionamento aberto.

Assim como aprendemos através do racional, nosso emocional é por si só é um veículo de comunicação e aprendizado, neste sentido, quanto um só professor poderia nos ensinar?

Quando nos sentimos amados os olhos brilham, a pele fica vistosa, o coração palpita, o mundo fica cor-de-rosa, nos sentimos seguros e confiantes. Isso com uma só conexão. E se fosse possível fazer o mesmo com duas conexões emocionais? Como nós nos sentiríamos? Como seria o poder de receber e emanar felicidade, amor, carinho, reciprocidade, intimidade e afeto em dobro?

Quando terminamos um relacionamento, ou em outras palavras: cortamos a conexão, nos sentimos miseráveis, acabados, tristes, infelizes, “ninguém me ama”, justamente o oposto daquilo que aquela conexão provia. Num certo sentido, sentir-se sozinho é estar desconectado emocionalmente de outras pessoas.

O que machuca é a perda, é sentir-se isolado, é estar desconectado. Eu continuamente tento aprender a transformar as relações para que se o convívio mais próximo não seja possível, que se possa arrumar uma forma para que eu não tenha que esconder o meu amor ou pior, soterrá-lo embaixo de mágoas e me desconectar definitivamente. Já fiz isso no passado, não quero mais, quero poder dizer que o carinho e o afeto se mantém, mesmo que não se viva mais sobre o mesmo teto.

Eu não consigo acreditar em um mundo que o amor só exista debaixo do mesmo teto, que ele só possa viver cercado pelo sexo, que o amor seja preso a regras e regulamentos. Se existem verdades absolutas, voto nesta: ninguém consegue mandar no coração.

Para mim o amor se sente, se transmite, se recebe, se vive… o resto são regras sociais.

As opiniões aqui expressas, são de inteira responsabilidade deste autor. Nenhuma destas opiniões aqui manifestadas pertencem a entidades ligadas ao autor.

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    One Response to “Como um Coração deste tamanhinho pode amar duas pessoas?”

    1. 1
      O que é um relacionamento Aberto Says:

      [...] Eu já falei sobre relacionamento aberto sutilmente neste post. [...]

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