Consumo de Carne e Casamento

Escrito em maio 15, 2009 | Categoria: Aprenda Sânscrito, Português, Principal, mantra

pin_brasaorep_Imagine que fosse criada uma lei que proibisse o consumo de carne no Brasil. Como você reagiria? Se você for vegetariano, possivelmente daria de ombros.

Eu não sei você, mas eu seria contra. Apesar de ser vegetariano convicto, como shakta nunca concordaria em cercear as opções e escolhas alheias. Eu ja falei que liberdade é muito mais dar opção do que supostamente fazer o que quiser.

Eu usei o exemplo estapafurdio acima para ilustrar que talvez a lei que rege os casamentos precise ser revisada. Pois da forma que está oprime parte da população que não se encaixa naquele paradigma.

O principal argumento de várias religiões monoteístas é que isso destruiria o sagrado matrimônio. Meu contra argumento é de que quem é realmente seguidor da religião que prega o casamento como homem e mulher e ponto final, não seria prejudicado pois poderia manter a sua tradição respeitando a opção do outro.

Permitir com que pessoas que pensam diferente pudessem ter os seus relacionamentos reconhecidos pelo estado reforçaria a idéia que o estado  é laico e supostamente deveria preservar a pluraridade de crenças, tradições e blá blá blá.

Qual lei estou falando?

Da constituição do país. No prêambulo lê-se:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, (…) como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, (…) a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Os direitos sociais começam com os direitos individuais, pois a sociedade existe pelo agrupamento de indivíduos.

Me parece que se nosso país quer assegurar os direitos sociais e individuais à liberdade, ele precisa rever a sua forma de intervir no foro íntimo do cidadão, já que é premissa ser inviolável a intimidade, gostaria de saber por que diabos você deva seguir este parágrafo:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(…)
§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
(…)
§ 5º – Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

E os direitos civis dos casais gays, da tradição mulçulmana de ter várias esposas e das milhares de outras possibilidades de associações mistas que existem? No momento estas tradições são clandestinas aos olhos do estado e como tal, não estão protegidas pela lei.

Casamento

casamentoO estado não deveria dar pitaco na forma como as pessoas se casam ou deixam de casar. As pessoas deveriam ter a opção de casar entre si, independente do sexo e número de pessoas envolvidas. Se o estado reconhecesse este tipo misto de relacionamento seria mais fácil alguém que se sentisse lesado pudesse acionar os poderes do estado contra o seu agressor.

Achar certo: homem x mulher não dá o direito de repreender a felicidade alheia através de outra forma de relacionamento.

Assim como ser vegetariano não pressupoem o direito de proibir, chatear, reprimir, discriminar outras pessoas que comem carne.

As vezes para ser feliz, terá que ser diferente

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    4 Responses to “Consumo de Carne e Casamento”

    1. 4
      junia fernandes Says:

      Concordo mas tambem preciso assimilar um pouco melhor. Mas uma coisa é certa as leis sobre o casamento estao passando dos limites e deixam qualquer um louco. Novas idéias sao sempre boas. É melhor mudar de idéia do que nao ter idéia para mudar.

    2. 3
      anassilvia Says:

      Marco,

      Muito bacana o seu posicionamento. Creio que a sociedade deve tomar conciência dos direitos fundamentais, sendo omaior e mais indispensável a LIBERDADE em todos os sentidos. Liberdade para casar, ou não, para ter filhos, ou não, para comer carne, ou não, etc. As leis deveriam não avançar na esfera de direitos individuais mas ter como função primordial iniber que exessos ocorram, para que o exercício de uma liberdade individual não avance o de outra.

      Adorei!

      Um grande beijo
      anassílvia


      Muito obrigado! Fico feliz de você ter gostado.

      Bjos!

    3. 2
      Anísio Says:

      Realmente a arguentação é boa.

      Ainda preciso assimilar um pouco melhor a ideia de minimizarmos leis proibitivas… vamos conversar novamente sobre os conceitos de libedade (sempre me vem a cabeça a ideia do impacto da liberalização de entorpecentes, por exemplo).

      Mas o mais importante: não podemos ter o direito de chatear???????? :P


      Eu nem quero entrar no mérito da questão sobre entorpecentes, pois é uma área a qual eu não tenho conhecimento. But… já que é para dar pitaco: Nós temos drogas lícitas: alcool e fume que matam e apesar de todas as campanhas ninguém proíbe. Eu acho que liberar é possível desde que o usuário perca o direito de assistência pelo estado. Liberdade anda de mãos dadas com responsabilidade. O cara tem o direito de morrer de overdose, mas não pode esperar que os outros consertem suas cacas devido ao uso de drogas. Isso é uma achologia, pois não escutei a opinião de quem trabalha com isso diretamente.

      Abraços brow.. nos vemos no Swadhisht?

    4. 1
      Nilzo Says:

      Sensacional a analogia, Marco! Gosto muito de suas análises de nossas leis. Como estão, parece-me inútil ter um montão de gente que custa um dinheirão fazendo leis que não abrangem todas as possbilidades de escolha.
      Abs:

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