Escrito em agosto 12, 2009 | Categoria: Português, Principal
Nos meses de agosto acontece o Festival Internacional de Yôga de São Paulo. Em 2001 eu era apenas um neófito, tinha pouco mais de 2 meses de prática e fui ao Fest-Yôga de sampa.
- Você vai gostar desta vivência – minha instrutora disse isso me empurrando para dentro da sala.
- Mas é em espanhol… – retruquei
- É muito fácil de entender.
A vivencia se chamava: La Vivencia de Los Ásanas, com o então Prof. Edgardo Caramela que hoje é Maestro. Para alguém com só 2 meses de prática foi barra. Eu suei um monte, não foram permanencias muito longas, mas para a minha percepção da época pareciam horas em cada posição.
Em um trikônásana, pensei: nossa, sou o cara, ó o quanto já desci. Ao abrir os olhos, tive meu treinamento de humildade, a Anahí estava com a mão tocando o chão.
Na hora de retornar, eu tinha ficado tanto tempo (para os meus padrões da época) que a musculatura estava tão estendida que eu não tinha força de puxar meu corpo para cima. Tive que desfazer de qualquer forma.
Mais tarde naquele mesmo dia, um pouco dolorido. Passeava pelo salão, meio perdido em meio àquela multidão e então um aglomerado de gente se formou e eu não sabia o que estava acontecendo.
Era o DeRose que estava ali, possivelmente passeando de forma despretenciosa como sempre faz nos festivais. Eu estava a alguns bons metros da aglomeração de pessoas que o cumprimentavam.
Meu impulso foi ir lá cumprimentá-lo, mas pensei: ah! imagine, deixa para lá. Olhei para outro lado, me distraí com alguma coisa e então quando me virei na direção do bôlô bôlô (aglomerado) me deparei com o DeRose bem na minha frente. Não sei que cara que fiz, mas ele abriu os braços e eu meio que por reflexo também e ganhei um abraço.
Eu não falei nada, estava muito embasbacado. Certamente eu lembraria se ele tivesse dito algo, mas acho que dado o momento nenhuma palavra serviria.
E foi assim que conheci o DeRose, que posteriormente tornou-se meu professor, amigo e Mestre. Quase uma década aprendendo a melhor filosofia do mundo.
Sara foi minha instrutora, me treinou, formou e monitorou. Ela mora em meu coração para todo o sempre.
A história dela de como ela conheceu o DeRose também é muito legal pela forma singela. Pela percepção de humanidade longe dos holofotes de homem público de DeRose tem.
Eu não recordo datas, mas foi no final da década de 90. Havia um curso com o DeRose aqui em Curitiba e depois disso a Prof. Maria Helena Aguiar iria recepcionar o DeRose e mais alguns convidados em sua casa. A Sara não fez o curso, mas foi convidada para o jantar.
Ela ainda não conhecia do DeRose. Somente por fotos e bem antigas diga-se de passagem já que o único livro que ela havia visto era o Prontuário de Swásthya Yôga que tinha fotos do DeRose com seus quase 30 anos de idade.
Quando ele chegou a casa da Prof. Maria Helena, todos foram a porta recepcioná-lo. Depois dos cumprimentos a Sara sentou-se no sofá, meio tímida e do nada DeRose senta-se ao lado dela e conversa despretenciosamente com ela.
Na cabeça dela havia-se montado uma imagem de Óh! o Mestre DeRose… Mas o que ela viu foi uma pessoa normal, como todas as outras, muito simpático e sorridente. Ali ela havia conhecido o DeRose pessoa. Detentor de um conhecimento milenar, sim, mas um ser humano.
Contar a história dos outros é complicado, já que quem conta um conto aumenta um ponto, mas vamos lá. A prof. Maria Helena é presidente da Federação de Yôga do Paraná, professora da Sara Cadore e iniciou suas práticas de Swásthya a mais de 30 anos.
Então pelos meus calculos estes eventos se dão em algum lugar da década de 70.
O DeRose foi chamado por uma professora de yoga da época para dar um curso. Depois do curso, como de praxe, um jantar.
A professora era (ou é) da high society e haviam todos os sarameleques para apresentar o convidado ilustre. Colocaram DeRose em um cadeira na biblioteca para que houvesse um pompa na hora que as portas se abrissem e a anfitriã pudesse apresentá-lo a todos os convidados de uma só vez.
Maria Helena, não entendendo onde estava o DeRose na festa resolveu procurá-lo e saiu pela grande casa a sua caça. Chegou na biblioteca e encontrou um jovem sentado em uma cadeira segurando um livro.
O comprimentou e depois de algumas palavras DeRose disse: você tem algum problema na coluna. E a Maria Helena, ainda influenciada pelo misticismo do métier da época pensou: “nossa, esse homem é um vidente, eu realmente tenho escoliose”. E meio espantada, meio sem saber o que dizer, perguntou o óbvio: “como você sabe?” e DeRose respondeu o óbvio também: “É que você anda com um ombro mais alto que o outro…”
Lhe contei três histórias para você conhecer o DeRose da forma que eu o conheço. Uma pessoa, certamente detentora de 50 anos de filosofia, e uma história de contribuições para o patrimônio cultural, mas acima de tudo um ser humano que está além dos títulos e academicismos.
Por algum motivo eu adoro medalhas. Não sei por que, mas elas me facinam e eu fico meio bobo olhando as tantas que DeRose já recebeu em sua vida.
Eu nem me importo o que elas representam, só fico admirando seu formato, cores…
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