Extrair contentamento de tudo – santôsha

Escrito em dezembro 14, 2009 | Categoria: Português, Principal

Longe do complexo de Poliana na qual nos tornamos uns iludidos achando que está tudo bem.

A arte do contentamento está em usar qualquer situação, seja boa ou ruim, para progredir. Pois independente do que aconteça, o que importa é aquilo que você faz com o que aconteceu.

Se você gostar ou não gostar, se ficar bravo ou calmo, feliz ou infeliz, nenhuma destas sensações ou emoções irá mudar o fato de que aquilo aconteceu, mas podem afetar decisivamente a forma como você reagiu. Melhorando ou piorando a situação.

Neste final de semana eu tive a oportunidade de colocar a prova o santôsha várias vezes.

Evento pré final de semana

Na quinta saí rumo ao banco para resolver o cartão do banco que havia vencido. Em posse do novo cartão da empresa, o enclausurei em minha carteira e voltei para casa. Depois do retorno me aprontei para dar aulas. Não sei o que aconteceu, mas quando me dei conta não sabia onde estava minha carteira.

Evento number 1

Fui ver no HSBC o coral nas janelas do Palácio Avenida. Meu amigo Tiago Demeneck convidou a mim e a outros amigos para vermos de camarote na sacada de um Hotel que fica bem a frente.

Oito e meia era o combinado. Chegamos 10 minutos antes e aquilo era um formigueiro de gente que não deixava você passar pois  eles ficam com a impressão que você irá roubar seus lugares. Ignorando as caras feias e os comentários nada amigáveis tentamos adentrar naquela multidão e não conseguimos. Demos a volta na quadra e a coisa ficou mais fácil, mas ainda com umas caras feias.

Ao chegar no Hotel perguntei na recepção sobre o Tiago Demeneck e o atendente me disse que não havia ninguém ali com este nome. Alguém soprou no ouvido dele que o irmão dele estava ali. Interfonaram e o irmão do Demeneck nos disse que era amanhã a reserva do Tiago.

Uma rápida conferida pelo telefone com o próprio me mostrou que eu entendi errado. Bom, paciência. Já que estava ali no meio da muvuca, bora assistir de pé na rua mesmo.

Afinal, de que adiantava ficar bravo, xingar, bater a cabeça na parede. Bora curtir o espetáculo.

Como ficar de pé por mais de uma hora não é nada confortável, assim que cansou fomos embora. Tinhamos uma festa para ir, mas minhas costas já estavam pedindo arrego.

Evento number two

Depois de parar no Baba Salim e pedir faláfel, rumamos para casa. Ao chegar na porta do apartamento, insiro a chave começo a rodá-la. Ouço um clack diferente e pronto: a chave não vai nem para frente nem para trás e nós estavamos fechados para fora de casa.

O  meu iTouch pega o sinal da minha rede wi-fi do lado de fora do apartamento. O que me permitiu googlar por “chaveiro 24h”. Sentamos no corredor e começamos a comer os falafels. Claro que eu não fiquei nem um pouco feliz em gastar R$60 com o chaveiro.

Mas a fechadura ficou muito boa, eu não tinha noção de quanto a minha fechadura precisava de reparos. Agora parece uma manteiga de tão macia.

Dormi o sono dos deuses depois disto.

No domingo…

Tivemos um almoço agradabilíssimo com DeRose na Unidade Alto da XV, onde dou aulas. Saí para tomar uma salada de frutas e olho debaixo do banco  por desencargo de consciência e lá estava minha carteira. Eu tinha dinheiro novamente!

Voltei para casa e assim que me acomodei na cama para aquela soneca de preguiça do domingo ouvimos uma batida, olhamos pela janela e um carro havia acertado o nosso carregando-o acima da calçada.

Desci rápido, assim como vários vizinhos. Encontramos gente saindo do carro com sangue. Um horror, mas nada gravíssimo. Haviam pessoas ajudando e prestando os primeiro atendimento pedindo para os feridos ficarem onde estão esperando o socorro.

Acionado o socorro, a motorista bem emocionada chamou o pai que veio rapidamente. Uma ótima solução pois ela realmente estava abalada já que seu carro estava cheio de crianças, amigas de suas filhas.

Fizemos questão de ajudar no que fosse possível e deixamos o pai da moça resolver os feridos. Depois que o socorro chegou, começou a novena do B.O. + burocracias do seguro. Três horas depois, com bom humor o pai dela agradeceu a paciência e como não quisemos brigar só ajudar ele ligou para o seguro para verificar se tinha direito ao carro reserva. Carro este que ele deixou em nossas mãos.

Santosha é diferente de acomodação

Em nenhum momento eu quero que você ache que eu fiquei feliz por essas coisas terem acontecido. Eu quero que você veja que é possível transformar algo que a princípio entupiria as artérias coronárias de outras pessoas em uma coisa agradável.

Não saiu como planejado? Então reinvente o momento para que ele se torne agradável. Assim como nós enxergamos as coisas ruins do dia, nós podemos enxergar e optar por viver as coisas boas do dia. Não importa o que aconteceu, importa é como você reage ao que aconteceu.

Veja o filme “Celebrando o que a vida tem de bom” de um fotógrafo da National Geograpics que entendeu o santosha da forma mais sámkhya que pode existir.

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    3 Responses to “Extrair contentamento de tudo – santôsha”

    1. 3
      Rogério Chimionato Says:

      Excelente texto, Marco, parabéns!

      Abraços!

      Rogério Chimionato
      Método DeRose Centro Cívico
      http://www.yogacentrocivico.org/blog

    2. 2
      Cissa Says:

      Eu precisava ler isso hoje!

    3. 1
      Anísio Says:

      é, nada como uma reformadinha no carro :P

      o bom das situações tragicômicas é que, de uma forma ou outra, tornam-se cômicas um dia…

      com um pouco de esforço, as só trágicas também.

      ou não, sei la

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