Escrito em outubro 1, 2008 | Categoria: Português, Principal
As fases da instrutoria são muito parecidas com as fases de nossa própria vida. Aliás, tudo em nossa vida segue razoavelmente os passos que seguimos em nossa vida biológica.
Você ainda está aprendendo todas as habilidades necessárias para sobreviver, saber se comportar em grupo. Acata da melhor forma o possível a ordem dos adultos, faz birra e as vezes toma umas palmadas por isso.
Sua vida é basicamente se desenvolver e aprender aquilo que vai usar no futuro.
Você segue estritamente o que seus professores lhe dizem, tenta não alterar nada, de vez em quando toma uma bronca por repetir o mesmo erro milhares de vezes. Seu comportamento é lapidado para que os efeitos evolutivos do Yôga possam se manifestar mais rapidamente.
Basicamente sua vida é se desenvolver e aprender tudo aquilo ao qual vai usar no futuro. Não passa pela sua cabeça nem sequer questionar o que o seu professor lhe diz.
Fase complicada na vida de todo mundo, onde tudo muda e você não é mais criança, mas tamém ainda não é adulto. Começará o processo pelo qual renega os costumes de seus pais, se rebela contra eles para achar o seu espaço próprio. Tenta destruir várias ligações emocionais viciadas e que não fazem mais sentido. Ainda não sabemos exatamente porque, mas não queremos mais aqueles velhos padrões. Estamos tentando assim achar os limites e o espaço para que sejamos reconhecidos como adultos.
Sentimo-nos oprimidos pelo pátrio poder. Não queremos mais a influência dos mais velhos. Queremos fazer as coisas do nosso jeito. Não queremos responsabilidade nenhuma, mas queremos todas as liberdades. Questionamos tudo!
Neste ponto podemos ter filhos, mas se os tivermos, vai ser um problema!
Já aprendemos a maior parte daquilo que precisamos, agora é “colocar em prática”. Aqui é que muitos caem, pois ao querer destruir vinculos viciados acabamos por renegar nossos professores e cortar a ligação que tinhamos com eles por achar que eles não nos deixam fazer nada, que ninguém entende o que você está sentindo, enfim, aquela atitude típica de adolecente.
O problema aqui é que na nossa vida por mais bravos que fiquemos com nossos pais, nós não fugimos de casa e se o fazemos, logo voltamos com o rabo entre as pernas pois não conseguimos viver sem nossos pais ainda. Aprendemos que liberdade tem seu preço e que ainda não estamos preparados para pagá-lo.
O problema é que biologicamente falando já somos adultos, estamos adolescendo somente na instrutoria de yôga. O ego pesa muito e se “fugimos de casa” acabamos não voltando. Muitos dos instrutores que aqui caem, revoltam-se contra seus professores e acabam por desistir da profissão e do Yôga por não saber administrar seus próprios egos.
Você pode formar outros instrutores aqui, mas talvez não tenha maturidade para ensiná-los direito.
Quando nos tornamos adultos assumimos a responsabilidades que a liberdade requesita. Pagamos nossas contas, não precisamos dar satisfação a ninguém, mas também trabalhamos feito camelos para construir tudo o que sonhamos. Constituimos família, criamos nossos filhos e não temos nenhuma paciência com a atitude deles por não lembrarmos da nossa própria.
Nessa fase, reconstruimos os relacionamentos com nossos antepassados. Tiramos as ligações viciadas por tirar a dependência psicológica e emocional que tínhamos quando crianças e que a todo custo tentamos destruir na adolescência.
Nessa fase construimos relacionamentos mais maduros onde os mais velhos não mais exercem o pátrio poder sobre você pois eles não tem esse poder mais. Contudo nas decisões mais importantes você vai ter uma conversa com seu pai para saber o que ele acha da situação e assim você poder escolher melhor. Aqui seu pai não é mais quem manda, mas mais como um mentor, um modelo.
Você superou os obstáculos do seu próprio ego e conseguiu amadurecer os relacionamentos. Agora enxerga as dinâmicas sociais de forma muito mais clara. Assume sua liberdade e sabe lidar com as responsabilidades que isso acarreta.
Começa a produzir conhecimento como um adoidado. Não passa um dia no qual não ensina a um neófito algo novo. Fala pelos cotovelos. Torna-se um workaholic. Constitui “família”, ou seja, começa a instruir outras pessoas a tornarem-se instrutores também.
Seus professores não mais lhe dirão o que fazer, servirão mais como um mentor para os momentos que você precisar de um empurrão. Como na adolescência você destruiu os vínculos viciados, agora pode construir outros de forma muito mais sólida e valorizando aquilo que realmente importa.
Já ganhou a vida. Trabalhou duro, fez os filhos crescerem, começa a aproveitar o tempo com coisas realmente prazeirosas. Mas lhe incomoda não ter mais o pátrio poder em suas mãos. A família é completamente independente e faz o que bem entende inclusive sem consultá-lo. Isso no começo incomoda profundamente por achar que sua existência não faz mais sentido, já que não é o “chefe” da família. Começa a aprender outros papeis que pode desenvolver.
Quando entende os novos papeis começa a viver de forma mais leve. Como não tem mais ninguém que realmente dependa de você, está livre para fazer o que desejar, mas liberdade sempre assusta e não tarda para que você se acostume com essa grande possibilidade: viver.
Já conseguiu gerar patrimônio o suficiente para manter-se confortável. Fez os instrutores que formou tornarem-se responsáveis e adultos. Eles andam por suas próprias pernas e estão também passando o conhecimento do Yôga para a próxima geração. Você não tem mais controle direto sobre suas ações e isso incomoda, já que sempre fez isso na vida, e agora não precisa mais.
Começa a dar pitaco na educação dos “netos”. Neste ponto assume outros papeis, aos quais passa a experiência de vida para os mais novos que ainda estão na infância da instrutoria. Eles, assim como nós quando crianças, adoram escutar as histórias que os “vovôs” tem a contar.
Os que estão na adolecência não querem escutar, querem achar o seu próprio caminho e aqui lembramos o quanto eramos impetuosos em nossa época de adolescentes.
As vezes perdemos a paciência com eles, mas no fundo só queremos o seu bem e o que incomoda é que não conseguimos fazê-los entender isso, pois não falamos mais a língua dos jovens. Damos os ombros e sabemos que eles vão quebrar a cara, mas pelo menos vão aprender e se o ego permitir: evoluir.
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agosto 10th, 2009 at 10:58
É realmente uma bela sacada, Marco. Parabéns! Embora não dê para forçar nosso ritmo biológico, as influência externas podem nos induzir a acelerar um pouco esse processo, a fim de curtir mais as fases com o melhor custo-benefício das coisas: as fases adulta e da maturidade. E o seu texto está sendo essa influência externa. Valeu, Marcão!!
agosto 9th, 2009 at 23:07
[...] Fases de desenvolvimento de um instrutor de Yôga – Tudo em nossa vida passa mais ou menor por estas fases. Adapte o texto a sua realidade. [...]
agosto 9th, 2009 at 20:24
[...] Fases de desenvolvimento de um instrutor de Yôga – Tudo em nossa vida passa mais ou menor por estas fases. Adapte o texto a sua realidade. [...]
agosto 4th, 2009 at 10:38
Muito legal!!!
Vc teve uma sacada ótima!!!
outubro 4th, 2008 at 23:55
Muito obrigado a todos pelos elogios
Abraços
outubro 4th, 2008 at 23:26
Muito esclarecedor este texto, Marco!
Está produzindo bastante!
beijinhos
http://www.vivaqualidadedevida.org
outubro 3rd, 2008 at 12:11
[...] Leia aqui: Fases de Desenvolvimento de um Instrutor de Yôga [...]
outubro 2nd, 2008 at 22:55
Excelente texto Marco!!!! Uma analogia muito bem elaborada. Creio que eu estou na fase espermatozóide…
Espermatozóide feliz… Ahahahahahahahah…
outubro 1st, 2008 at 22:34
muito legal essa linha Marco.
realmente estas produzindo muito
outubro 1st, 2008 at 21:35
Bacana mesmo essa analogia Marco, dá até para entender melhor em que fase cada pessoa se encontra e associar a relação com os primos e irmãos dessa grande família que é o SwáSthya!
Abraços.
outubro 1st, 2008 at 20:06
Muito legal esse texto. Me lembrou “A frota” do Mallet, mas numa abordagem totalmente original. Acho que vale uma buriladinha e enviar para o DeRose. Parabéns!
outubro 1st, 2008 at 14:47
adorei o texto, algumas coisas são realmente assim.. rsrs
eu estou na fase adulta, mas como instrutora sou apenas uma criança começando, deslumbrada com tantas descobertas e apaixonada pelo que faço!!
bjobjo
outubro 1st, 2008 at 13:37
Em que fase você acha que está Marco?
Espero estar na fase adulta já que a revolta adolescente já passou a algum tempo e eu amo o swásthya mas não estou mais na fase “apaixonado”.
abraços