Homo amabilis e homo malignus vivem entre nós

Escrito em maio 15, 2011 | Categoria: Principal

Para você entender melhor o que eu vou dizer abaixo você precisa saber do mito do homo amabilis e do homo malignus.

Abaixo um pequeno excerto caso não queira ler o texto todo do link:

Quando surgiu o gênero Homo, de onde viria a desenvolver-se a espécie Homo sapiens, havia duas subespécies: Homo amābilis e Homo malīgnus. Essas subespécies eram tão semelhantes que até podiam cruzar e eventualmente o faziam, gerando uma descendência híbrida. Mas havia uma diferença entre elas. O Homo amābilis era um animal doce e querido, de sentimentos francos e comportamento dócil. Jamais agredia, nem para se defender. Repartia a comida (frutos, raízes, folhas, mel), dividia a caverna, compartilhava as ferramentas. Nunca esperava uma agressão ou traição por parte do Homo malīgnus. Este, por sua vez, era o oposto. Sempre tramando ardis para roubar a comida, as ferramentas, a moradia e tudo o que o Homo amābilis possuísse. – DeRose.

Encontrei no livro Sexo: Tudo que Ninguém Fala sobre o Tema de J.A.Gaiarsa, Ed. Ágora, 2005, São Paulo,  uma interessante comparação entre chimpanzés e Bonobos.

Se pusermos lado a lado aquelas tiras cheias de risquinhos que mostram a estrutura do DNA de um chimpanzé comuum e do nosso DNA, vai ter de usar uma boa lente para perceber as diferenças, que estão próximas de 1%. Se depois pusermos lado a lado as tiras do DNA do Chimpanzé comum e do bonobo, aí nem com lente você perceberá diferença. (pg 144)

Ele diz bonobos é um tipo de chimpanzé e que são muito parecidos. Aos olhos leigos, não saberiamos diferenciá-los se estivessem lado a lado. Para nós classificariamos todos como chimpanzés ou todos como bonobos. Mas entre eles existe uma diferença comportamental abissal. E é aqui que entra a hisória do homo amábilis e do homo malignus.

Nossos Antepassados – The Bad Boys

Vou chamar de chimpanzés o que vemos facilmente na TV e de bonobos os bons chimpanzés. (…) os machos chimpanzés são valentões e barulhentos, exibem sua força com estardalhaço, com correrias, quebra de galhos, sons ameaçadores, a qualquer pretexto ou sem pretexto nenhum. Brigam e se ameaçam com frequência, exigem atitudes de submissão das fêmeas sempre que uma delas passa perto. Se não fazem as reverências de praxe, se ão reconhecem assim a “superioridade” dos machos, são espancadas. Fazem política, isto é, lutam o tempo todo para conseguir supremacia, aliando-se para depor um macho dominante, e por vezes a conspiração acaba em assassinato. Reunem-se em grupos (…) vigilantes, para territórios vizinhos. Se encotram um infeliz sozinho – macho ou fêmea, tanto faz -, o atacam e espancam brutalmente (…) Além de violentos e covardes, só atacam quado são vários contra um (…) o cio da fêmea é escandaloso: seus genitais incham e se congestionam. Ela se oferece para quem queira e, ao final do período, os machos chegam a se mostrar desinteressados. Mas só próximo desse final é que ela se retira com um único macho. Fazem uma espécie de lua-de-mel durante uns dias e só então ele é fecundada! Cessado o cio e até a adolescência de seu filhote – sete a nove anos depois -, ela não se mostra receptiva aos machos. (…) (pg. 145)

Modelo Social Bonobo

Eles são capazes de se acasalar dezenas de vezes por dia. Machos e fêmeas se engajam com entusiasmo em atos heterossexuais e homossexuais, manipulam-se reciprocamente os órgãos genitais com mãos e boca, adotam uma variedade impressionante de posiçõespara copular e começam a faze sexo muito ates do advento da puberdade, a partir de aproximadamente um ano de idade.

Os bonobos parecem imunes ao ciúme. Usam sexo para muito mais do que fazer bebês. O fazem para fazer amigos, fazem para os que estão sobre tensão. Fazem como modo de reconsciliação. Em muitos casos sua atividade sexual nada tem que ver diretamente com a reprodução. (…)

Entre os bonobos, as fêmeas se mostram altamente solidárias e nenhum macho ataca uma fêmea, pois logo aparecem outras para defendê-la. Além disso os machos são mais “bem comportados” e também se acariciam entre si de todos os modos que você conseguir imaginar. As fêmeas trocam mais agrados entre sí do que com os machos, mas nem de longe menosprezam as trocas com eles. (p 149)

Sexualidade (leia-se carinho) x Violência e crendices

O neuropsicólogo James W. Prescott, publicou um trabalho intitulado “O prazer corporal e a origem da violência” em que relaciona a repressão sexual (leia-se falta de contato físico entre humanos, sem genitalidade) na infância e adolescência a variáveis que indicam reações agressivas na fase adulta. Para isso estudou 400 sociedades pré-industriais. Seu trabalho inspirou Carl Sagan em seu livro Cosmos a sintetizar sua investigação dizendo:

(…) nessa surpreendente análise estatística transcultural, Prescott descobre qe as culturas que dão afeto a seus filhos tendem a baixos níveis de violência. Mesmo nas sociedades nas quais as crianças não são muito acariciadas, elas se tornam adultos não-violentos, sempre que não seja reprimida a atividade sexual dos adolescentes.

Então Gaiarsa complementa:

Prescott crê que as culturas predispostas à violência são constituídas por indivíduos que foram privados dos prazeres do corpo durante pelo menos uma das duas fases críticas da vida, a infância e a adolescência. Ali onde se estimula carinho físico, são apenas visíveis roubo, desigualdade, religião organizada e ostentação invejosa de riqueza (consumo).

Onde os filhos são castigados fisicamente, tende a haver escravidão, homicídios, torturas, desigualdade social acentuada, inferiorização da mulher e a crença em seres sobrenaturais que intervêm na vida mundana.

Só há religião onde não há amor. Entranho não é? – (pg.152)

Um trecho do artigo de Prescott

Os psicólogos denominam de privação materno-social várias condutas social e emocionalmente anormais, decorrentes de carência de cuidados ternos e amorosos. Estou convencido de que estas carências são causadas por um único tipo de privação sensorial: privação de contatos somatosensoriais. Proveniente da palavra grega que designa corpo – somatos – e termo privação somato-sensorial se refere às sensações de contato e de movimento corporal que diferem do sentimento da visão, da audição, do olfato e do gosto.

Creio que a privação do contato corporal, das carícias e do movimento constitui as causas básicas de boa quantidade de transtornos emocionais, que incluem os comportamentos autistas e depressivos, a hiperatividade, as perversões sexuais, o abuso de drogas, a violência – Prescott.

Violência

Eu já tinha notado que quanto mais distantes um dos outros nós estamos, mais sucetíveis a violência estaremos. Foi bom encotrar pesquisas acerca deste assunto.

Entenda violência como aquela que fazemos aos outros e aquela que fazemos a nós mesmos resultando em tantos conflitos internos e intermináveis. Talvez como uma resposta inconsciênte na tentativa de quebrar a “força” a falta que sentimos uns dos outros.

Nós sentimos tanta vontade de encostar e se não fazemos vamos represando essa vontade até que ela exploda em um movimento incontrolável e que ao invés das águas do riacho que fazem um som agradável que nos faz dormir em paz, gera um tsunami que varre e destroi tudo a sua volta ou dentro de si. Encoste mais, todos agradecem.

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