Escrito em outubro 14, 2008 | Categoria: Livros, Português, Principal
Um período assim, dedicado ao trabalho braçal, trouxe vários aspectos positivos para mim. Pratico SwáSthya, um Yôga autêntico e poderoso, mas há tempos não tinha um momento de supressão das instabilidades da consciência como eu tive pintando uma parede branca de perto. Sem fazer grandes planos, sem se ater a incumbências gerenciais, pude usufruir o desprendimento que há em simplesmente varrer o chão do quarto ou passar um pano úmido no armário recém montado. Existe liberdade e contentamento em algo tão simples e humilde, pode ter certeza. – Para Viver bem, Caio Melo.
A ação pela simples ação. Trabalho pelo movimento que o trabalho gera. Sem idealizar como ficará quando você terminar, quais serão os benefícios daquela ação para você ou outrem. É o compromisso em fazer o melhor pelo melhor. É construir a parede de uma casa com suas próprias mãos sem sequer pensar no resultado final, mas a cada tijolo colocado, a cada nhaco de massa utilizada, você os une e monta da forma mais precisa do mundo, sem desejar ou idealizar que aquela ação fará sua casa melhor.
É passar o pano sobre o móvel recém montado não para limpá-lo, mas porque é o que vai ser feito. Não pela limpeza, mas por estar limpando.
Neste tipo de yôga, massivamente pressionado por dogmas religiosos de boas ações e caridade, quase que resumiu-se a assistência aos necessitados, cuidar de doentes, etc.
Não que isso seja ruim, mas o próprio Swámi Vivêkánanda, discípulo de Ramakrishna, um karma yôgin famoso e que inclusive escreveu um livro sobre Karma Yôga, denunciou a utilização da caridade como forma equivocada de karma yôga. Ele dizia que ao fazer caridade, inconscientemente você está dizendo: “sou melhor que você, por isso posso lhe ajudar” e que quando isso acontece vai-se por água abaixo todo o trabalho evolutivo do karma yôga. Segundo o Swámi, para a caridade realmente funcionar, o yôgin precisa despir-se de seu próprio ego e fazer o trabalho pelo trabalho e não para “ajudar”, afinal, por mais que você se esforce, a pobreza sempre existirá, assim como a fome, doença, etc. Pois são polaridades de nosso universo, sem o mal, não existiria o bem, sem a pobreza não existe a riqueza, sem a fome não existe a saciedade. O trabalho deve ser desinteressado por justamente trabalhar coisas no seu íntimo.
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outubro 15th, 2008 at 8:16
[...] Marco Carvalho escreveu hoje um artigo bem interessante sobre Karma Yôga e como ele é facilmente – e erroneamente – confundido com caridade e [...]
outubro 15th, 2008 at 8:12
As pessoas confundiram! Trocaram trabalho desinterassado por trabalho desinteressante.
Hahaha boa! Vou usar a partir de agora usar essa frase