Necessidade de Exclusividade

Escrito em janeiro 9, 2010 | Categoria: Português, Principal

Uma pergunta inquietante me moveu durante as imensas horas de produção do trabalho sobre relacionamentos afetivos que faço: por que dentro dos relacionamentos monogâmicos existe a necessidade da exclusividade. Foi algo que martelou meu pensamento por semanas.

Em minha época de relacionamentos fechados, não me questionava sobre a natureza de tal necessidade. Afinal, era assim que todos faziam. Era o considerado “certo”. Quando vivenciei as variantes abertas piorou ainda mais, pois o mais notório é justamente o quão insignificante é a exclusividade.

Neste beco eu não tinha a menor idéia de onde olhar para conseguir entender a origem desta carência. Iniciei pela literatura, passei pela filosofia, mas o que realmente trouxe a luz foi uma conversa.

Ao expor esta minha jornada a uma pessoa que mora em meu coração ela me apontou uma direção muito interessante. Não na primeira conversa. Em outra, dias depois.

Existe uma frase que eu utilizo para designar o quanto amo a Sara: “não importa o que aconteça, no final nós sempre voltaremos para casa juntos”.

Aquela querida companheira me disse que detrás desta frase existe um substituto a exclusividade. “Um qualquer-coisa que entra no lugar”, ela disse.

E me parece que acertou em cheio. Conversando com outras pessoas, ficou claro. O que a exclusividade representa nos relacionamentos monogâmicos é o compromisso.

O símbolo para o comprometimento nos relacionamentos convencionais é a exclusividade. Por isso nos sentimos traídos quando descobrimos que nosso amor se engraçou com outrem. A ação de ficar com outra pessoa no nosso inconsciente é associado como um tipo de falta de comprometimento. Contudo o sexo não necessariamente está contido no amor, ou o amor contido no sexo.

Dentro de um relacionamento aberto, pelo empirismo, você aprende que o comprometimento não precisa ser representado pela exclusividade. É possível vivenciar o compromisso sem a necessidade de fechar-se emocionalmente e sexualmente a outras experiências.

Revendo meus relacionamentos abertos, notei que monto níveis diferentes de compromisso com as pessoas que me relaciono afetivamente. Não no sentido de maior ou menor importância, mas sim em áreas diferentes.

Com a Sara eu tenho um compromisso emocional, material e de futuro. Com outra pessoa eu tenho um compromisso emocional e com o bem estar dela, etc.

Já ouvi reclamações de algumas pessoas que estavam cansadas de quem não queria nada com nada. Isso denota a falta de compromisso ou cumplicidade.

A necessidade por compromisso é natural e está presente nos relacionamentos abertos ou fechados. Eu preciso sentir que a outra pessoa está comprometida comigo. Não exclusiva, mas cúmplice de minhas emoções, pensamentos, alegrias, tristezas, etc.

Isso nos remete novamente a questão do medo de perder e da posse como forma ilusória de prolongar a existência do relacionamento.

A exclusividade é uma forma de posse e em outras palavras é a tentativa de deixar mais duradouro o compromisso.

Veja o resultado da pesquisa que eu fiz sobre fidelidade nos relacionamentos afetivos.

Metáfora

a necessidade da exclusividade nos relacionamentos afetivos - falcoariaImaginemos um passarinho em nossa mão. Se apertarmos com muita força para que ele não fuja irá sufocá-lo e certamente levar o pequeno animal a morte.

Se deixarmos a mão folgada, ele vai conseguir respirar. Mas será prisioneiro e terá que ser alimentado, fará cocô na sua mão, perderá a força e talvez nunca mais voe.

Alguém pode argumentar que se abrirmos a mão o passarinho voará e nunca mais volte. Contudo a idéia é justamente essa. Ele volta justamente porque quer e não porque não poder voar, exatamente como na arte da falcoaria.

Leia também

  • Pesquisa sobre relacionamento afetivo
  • Carência estraga tudo – (rev 1 23-07-2010)
  • O que faz bons relacionametos afetivos
  • Ah! O ciúme… (rev 9 – 23-07-10)
  • Comunicação nos relacionamentos afetivos

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    18 Responses to “Necessidade de Exclusividade”

    1. 18
      O que é um relacionamento Aberto Says:

      [...] Mas da onde vem a nossa necessidade da exclusividade? Por que achamos que a exclusividade é algo necessário nos relacionamentos? Veja o meu ensaio sobre a necessidade da exclusividade nos relacionamentos afetivos. [...]

    2. 17
      O que é ciúme e como resolvê-lo Says:

      [...] se entendermos o porquê da necessidade da exclusividade em um relacionamento afetivo, possamos entender melhor a natureza do ciúme. Outro ponto a ser considerado é a sexualidade. [...]

    3. 16
      Giselli Says:

      Sabe, muitas vezes estamos de boa num relacionamento, até começar as mudanças.A mulher tem um rótulo e o homem outro p/ sociedade.Se procuramos dar liberdade p/ eles, dizem q não estamos interessada, se cuidamos somos possessivas.Pq eles querem agir de uma forma mais livre e não pérmite q tenhamos as mesmas igualdades? Querem fidelidade, mas não são fiéis, querem passear se mostrar sem compromisso mas devemos ficar a merce deles, tem ciúmes irrustidos e se vingam por tras, mas nós não podemos mostrar ciumenta pois incomoda e aumenta o ego deles para nos pisotear e desvalorizar. Como lidar com isso? Dizem uma coisa mas fazem outra e a maioria não assumi seus erros nem tenta melhorar, pq acha q nós mulheres temos q ser diferentes.Qdo procuramos mudar dizem q não estamos mais interessada, é complicado. Depois nós mulheres é q somos difíceis de entender.Se a maioria dos homens parecem iguais e raro os romanticos e fiéis
      q tipo de espécie devemos procurar então?

      Não que que espécie de homem você deve procurar, no entanto posso afirmar que você está procurando eles nos lugares errados. Pois só está achando o mesmo tipo que lhe fez rotular uma especimen peculiar que pelo visto sempre cai na sua rede. Acho que está na hora de mudar o local de pesca e o tamanho da rede :) ehhehe

      Abraços e boa sorte.

    4. 15
      Pesquisa sobre relacionamento afetivo Says:

      [...] afetivos. Você já me viu escrever sobre ciúmes, relacionamento aberto, sexo e amor, sobre a necessidade da exclusividade e tantos outros posts sobre [...]

    5. 14
      Dadá Says:

      Oioi! aqui está a tréplica, cortei algumas partes do meu primeiro comentário para não ficar cansativo:

      -Olá. Obrigado por alargar o meu entendimento sobre o assunto. Gostei de seu comentário e farei o possível para responder o que for possível.

      Concordo em gênero, número e grau: relacionamento aberto não é para todos. Assim como relacionamento fechado não é para todos. É importante ficar claro que eu nunca achei que existe uma fórmula mágica e igual para todos. A fórmula ideal é aquela que nos faz feliz. Não importa qual seja e é isso que defendo. Para mim funciona, para você será outra fórmula, para outra pessoa: uma terceira.

      O que eu não acredito é no modelo único :)

      Sim sim concordo que o modelo não é único.

      + todos meus comentários vem de minha experiência pessoal com relação ao assunto, e é possivel que não tenham sido mas melhores, contudo é o que tenho para me basar. por isso tenho procurado ler e conversar mais e mais a respeito para poder avaliar aquilo que ja possuo e também abrir meus horizontes para novos entendimentos :)

      - Uma coisa é relacionamento aberto, outra bem diferente é sem nossãozisse das pessoas. Não levar em consideração as pessoas envolvidas é um erro craso. Demonstração clara de falta de visão e sensibilidade. Infelizmente, temos que lidar com isso. Não só você, mas todos. No meu caso isso é resolvido pois tenho uma sólida confiança na seletividade de minhas parceiras.

      + Fico feliz por você e admiro muito quem dedica essa confiança e pratica essa seletividade. A minha experiência pessoal foi de ter um parceiro tido como galinha, e eu ser vista como “aquela que lidava com isso”, isto porque não havia confiança da parte dele para me contar o que realmente ele desejava, ou se estava acontecendo algo que pudesse me abalar em nosso relacionamento: de maneira geral o seu comportamento mudava tanto que eu logo percebia e ia tentando descifrar até ele desabafar pra cima de mim, coisas do tipo “meu envolvimento com essa pessoa é puramente sexual” ou “aquilo não significou nada” ou “eu estava com vontade mas na hora fiquei meia bomba (e eu preciso saber disso?)”. Descobrir que essas pessoas nao sabiam de minha existência ou de meu envolvimento também chegou a causar certa mágoa. Estava relendo o pequeno principe e parei encima do dialogo com a raposa: somos responsáveis por quem cativamos, e quando nos envolvemos com alguem (criamos laços e fazemos para fortalecê-los) temos plena consciencia de que estamos cativando alguém.

      - Ter um relacionamento aberto não quer dizer aceitar indiscriminadamente todos os peixes que caem na sua rede, aliás… quem disse que nós pescamos/caçamos/etc? Muitos destes peixes eu e minhas parceiras devolvemos ao mar. Aliás é até divertido ver as investidas atrapalhadas que os garotos fazem.

      As pessoas que “passam” pelo filtro delas, são pessoas que se já não são minhas amigas, tem todo o potencial de se tornar. Não é só por que se esfregou, falou no ouvido que leva para casa fácil (nem no meu caso nem no delas). Aberto não significa libertinagem. Se algum dia eu disse ou dei a entender que fosse assim, por favor me diga onde está para eu corrigir imediatamente meus textos.

      + que bom que nos seus relacionamentos não existe essa pescaria massiva rs, em momento algum você deu a entender que fosse assim se lhe dei essa impressão de interpretação peço desculpas, essa impressão eu tenho mais uma vez de minha experiencia, onde parecia que cada viagem ja tinha agendada uma concubina, e onde apesar de eu nao me incomodar realmente com isso podia ver um constante comportamento sedutor da parte de meu parceiro com outras pessoas e isto de maneira muito frequente. se até pela minha própria irmã ele se sentiu atraido! para mim chegou num ponto em que esse comportamento me pareceu uma clara falta de noção. ficar atirando para todos os lados quando alguém te oferece algo que lhe é único e profundo é para essa segunda pessoa no mínimo um pouco constrangedor (nao dá muita vondade de ficar oferecendo nao rs).

      - Acredita que eu nunca estive em uma orgia? Em nenhum lugar… as pessoas acreditam que como eu mantenho relacionamentos abertos eu seja frequentador assíduo de casas de swing e de orgias. Uma possibilidade é que eu seja muito feio e por isso nunca ninguém me convidou para uma. heheheh

      Brincadeiras a parte, não sei onde que está a falha na comunicação, pois relacionamento aberto invariavelmente é confundido com orgia. Uma coisa não tem nada depende da outra e não tem correlação.

      Eu estou falando de relacionamento, algo que envolve emoções, conexão emocional, cumplicidade, intimidade, carinho, envolvimento. É aquela sensação boa que um relacionamento afetivo nos dá. É disso que eu estou falando.

      Uma coisa é o tesão, a sexualidade a outra é a intimidade, envolvimento e compromisso. Sempre que me refiro a relacionamentos abertos estou falando de intimidade, emocionalidade, envolvimento e compromisso compartilhados com mais de uma pessoa. Eu nem entro no mérito da questão sobre a sexualidade.

      Consegui me fazer entender? É importante para mim entender se estou conseguindo me fazer claro. Você pode me ajudar neste sentido?

      + Você tem sido muito claro e eu compartilho de sua opinião. no entanto ja fui questionada dessa forma sim, e olha que eu também não fui chamada para orgia alguma! rs. no entanto histórias de pegações com terceiras me valeram esses questionamentos de quem claramente nao entendia nada. Envolvimentos superficiais com pessoas mais superficiais ainda podem gerar esse tipo de saia justa para quem de fato esta envolvido, no caso, espero que eu também esteja sendo clara, sei que você se refere a intimidade, emocionalidade envolvimento e compromisso, mas isto nem sempre é compartilhado com os terceiros, e para quem esta de um lado, ter que lidar com superficialidade, não afetividade e falta de compromisso pode ser dificil. foi o meu caso.

      - Aqui devo discordar. A matemática é exponencial e não subtração. Sabe aquele grude de começo de relacionamento? Esse grude inicial se alastra por todos os seus relacionamentos paralelos. Eu não sei explicar o porquê, só sei que é assim que acontece comigo. Não é raro eu escutar de uma das shaktis: “você está até mais bonito, a fulana deu um up”. que bonito

      Acho que a sua visão sobre o garoto ficar “desgastado” é porquê o exemplo que você tem é do cara que já perdeu o interesse na esposa a séculos, arruma uma amante e não quer saber mais da esposa. A questão é que ele não gasta as energias fora de casa, a questão é que ele não quer mais ficar dentro daquela casa. Acho que é por isso que você tem a impressão que funcione assim. Posso estar errado, mas eu apostaria as minhas fichas na falta de interesse prévio do conjuje. Pois eu mantenho o mesmo interesse que tinha mesmo depois de quase 10 anos de relacionamento. E posso afirmar com todas as letras que um relacionamento novo acende o antigo. Pelo menos é assim que funciona comigo.

      + hehe para mim ai esta um dos parafusos… Ouvi muito de meu parceiro: “quando estou só com você eu sinto vontade de variar, mas quando fiquei com outra volto com mais vontade para você” para mim era o oposto: “quando estou com você tenho mais vontade de você, quando vc ficou com outra eu perco a vontade e até me pergunto como seria ´variar´, mas acho a ideia meio sem graça” ao meu ver são dois focos diferentes, mas como existem pessoas diferentes existem prazeres diferentes: lembrando mais uma vez a raposa do pequeno principe: “se você dizer que vem as quatro, eu vou ficar feliz as três e as quatro estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade.”

      - Novamente gostaria de deixar frisado que quando digo relacionamento não estou me referindo a uma transada exporádica. Estou dizendo relacionamento afetivo novo. Emoção, cumplicidade, envolvimento, intimidade… é disso que eu estou me referindo.

      ..
      Que horror de visão!!! Não precisa ser assim. Acho que o que eu falei anteriormente aborda este tópico também.

      Já aconteceu isso contigo? Já sentiu-se bolo seco? Em quais circunstâncias?

      Novamente eu digo: não se preocupar com os envolvidos é imaturidade. Se eu vou ficar com uma menina e ela já tem um relacionamento, ou até mesmo um rolinho, eu tenho que ter certeza que o garoto sabe e que não ficará nenhuma rusga. Se tiver uma possibilidade de mal entendido eu não fico com a garota. Penso muito mais com a cabeça de cima do que com a de baixo. A de baixo já me arranjou muita confusão.

      + concordo que não precisa ser assim, mas acho que esses sentimentos são bastante comuns entre os reles mortais menos ilucidados a respeito: minha impressão é que quem tem o sentimento de posse pode se sentir traido, e quem tem o sentimento de entrega desprezado. e entrega nao é no caso submissão não: falo de se deixar ver no intimo, de se permitir gostar de alguém derrubando suas propias barreiras ou medos de se machucar por ai. medos que por sinal também são lamentavelmente comuns, afinal todomundo ja se machucou um pouco. Nesse sentido eu me senti desprezada sim ja que a magnitude de meu sentimento era impressionante até para mim mesma. felizmente tenho por ética nao deixar o amor por outrem abalar meu amor próprio (na falta de alguém para estar comigo, no mínimo eu tenho que me amar, não é?), então optei por nao deixar o sentimento de desprezo abalar minhas estruturas.

      a respeito de imaturidade concordo plenamente com você, e acho esse comportamento ideal. Acho uma pena que meu antigo parceiro afirmasse sempre nunca responder pelo de baixo.. e dizer que tem vontade própria e inabalável.. rs minha impressão do alto de meus 27 anos é que a maioria dos homens que conheci também pensam assim.

      - Muito obrigado novamente por ter alargado meu entendimento sobre este tópico. Aguardo ansioso a tréplica para entender ainda mais :)
      bjos

      + eee!
      eu também fico muito feliz por poder conversar com franqueza com alguém sobre essas vivências.
      relembrando as aulas do mestre, penso nessas situações com carinho e reflito muito com o intuito de estar realizando meu kama shuddhi e me permitindo ser mais plena a cada dia. :)

      muito obrigada, beijo e vamos continuar a conversa!

    6. 13
      Dadá Says:

      O texto é muito lindo e muito oportuno para mim também.
      meus parabéns.
      Eu acabei de terminar um relacionamento por discussões paralelas.
      e apesar de respeitar, achar lindo e muito legal pessoas que tem relacionamentos abertos eu ainda nao sei se é de fato possivel para qualquer um (inclusive no swásthya).
      antes do medo de perder a pessoa, por exemplo eu mooooorro de medo de contrair alguma doença por conta de outros relacionamentos de meu “parceiro”, pq convenhamos que camisinha não salva de tudo não, e mesmo que previna de contato dos fluidos de ambas pessoas, são poucos os que pensam nela na hora do sexo oral por exemplo. qualquer pessoa que aparecesse com uma herpes de presente para mim ganharia uma tarja preta automáticamente. Ignorar esse tipo de risco para com o parceiro é um insulto. em relacionamentos monogámicos como num circuito fechado, é mais dificil a entrada de virus etc.


      Olá. Obrigado por alargar o meu entendimento sobre o assunto. Gostei de seu comentário e farei o possível para responder o que for possível.

      Concordo em gênero, número e grau: relacionamento aberto não é para todos. Assim como relacionamento fechado não é para todos. É importante ficar claro que eu nunca achei que existe uma fórmula mágica e igual para todos. A fórmula ideal é aquela que nos faz feliz. Não importa qual seja e é isso que defendo. Para mim funciona, para você será outra fórmula, para outra pessoa: uma terceira.

      O que eu não acredito é no modelo único :)

      mas paranóias de doenças a parte, outra coisa que considero importante é como a terceira pessoa vai considerar minha existência.. aliás se ela vai primeiro saber de minha existência, respeitar a importancia que esse relacionamento tem pra ambas partes e nao criar cenas desconfortáveis comigo ou com minha egrégora. Digo isso porque por mais que seu relacionamento seja aberto e vc e seu parceiro entendam isso bem, os outros nao tem a obrigação de entender.. eu ja vi cenas de mulheres se esfregando (literalmente rs) e se oferecendo para meu parceiro na minha frente, e isso é muito desagradavel. também tem aquelas conversas em que as pessoas ja vão se oferecendo e combinando encontros deixando de lado a relevância que a outra pessoa possa ter.. eu sei que no caso cabe ao parceiro freiar certas atitudes, mas e como fica minha imagem com essas pessoas?


      Uma coisa é relacionamento aberto, outra bem diferente é sem nossãozisse das pessoas. Não levar em consideração as pessoas envolvidas é um erro craso. Demonstração clara de falta de visão e sensibilidade. Infelizmente, temos que lidar com isso. Não só você, mas todos. No meu caso isso é resolvido pois tenho uma sólida confiança na seletividade de minhas parceiras.

      Ter um relacionamento aberto não quer dizer aceitar indiscriminadamente todos os peixes que caem na sua rede, aliás… quem disse que nós pescamos/caçamos/etc? Muitos destes peixes eu e minhas parceiras devolvemos ao mar. Aliás é até divertido ver as investidas atrapalhadas que os garotos fazem.

      As pessoas que “passam” pelo filtro delas, são pessoas que se já não são minhas amigas, tem todo o potencial de se tornar. Não é só por que se esfregou, falou no ouvido que leva para casa fácil (nem no meu caso nem no delas). Aberto não significa libertinagem. Se algum dia eu disse ou dei a entender que fosse assim, por favor me diga onde está para eu corrigir imediatamente meus textos.

      minha imagem pessoal é algo que trabalho diariamente para mim, e claro para os outros, com minhas atitudes e minhas escolhas… da mesma forma que nao gostei de ver meu parceiro sendo tratado como pessoa leviana com frases do tipo “ele é galinha assim mesmo”, e outras afirmações que ao ser ouvidas sempre atingem a auto-estima. fato é que se as pessoas nao respeitam seu parceiro, vc também é menos respeitada, ou colocada de acordo com a impressão que ele tenha passado. Eu ja fui questionada a respeito de swings ou orgias dentro da rede por pessoas de fora claro, e por mais elegantemente que tenha saido dessas situações não vou negar meu desconforto: ninguém gosta de ser tachado pelas ações dos outros, muito menos quando mal interpretadas.


      Acredita que eu nunca estive em uma orgia? Em nenhum lugar… as pessoas acreditam que como eu mantenho relacionamentos abertos eu seja frequentador assíduo de casas de swing e de orgias. Uma possibilidade é que eu seja muito feio e por isso nunca ninguém me convidou para uma. heheheh

      Brincadeiras a parte, não sei onde que está a falha na comunicação, pois relacionamento aberto invariavelmente é confundido com orgia. Uma coisa não tem nada depende da outra e não tem correlação.

      Eu estou falando de relacionamento, algo que envolve emoções, conexão emocional, cumplicidade, intimidade, carinho, envolvimento. É aquela sensação boa que um relacionamento afetivo nos dá. É disso que eu estou falando.

      Uma coisa é o tesão, a sexualidade a outra é a intimidade, envolvimento e compromisso. Sempre que me refiro a relacionamentos abertos estou falando de intimidade, emocionalidade, envolvimento e compromisso compartilhados com mais de uma pessoa. Eu nem entro no mérito da questão sobre a sexualidade.

      Consegui me fazer entender? É importante para mim entender se estou conseguindo me fazer claro. Você pode me ajudar neste sentido?

      a terceira questão antes do medo de perder é a reciprocidade.
      por motivos até matemáticos rs, se meu parceiro sai por ai se divertindo com outras pessoas, porque ele tem vontade e tal, mas eu nao tenho vontade e não vou… caso de atração mesmo: se eu me sinto tão especial e tão bem com ele que nao sinto vontade de ir atrás de outras experiencias, e ele está lá voando como um passarinho, obvio que eu vou estar com mais tesão acumulado do que ele. ele vai ficar cansado ou então a situação pode ficar brochante para mim, porque afinal ele nao parece compartilhar desse momento especial da mesma forma que eu. A impressão de não estar sendo suficiente sempre bate nesse momento, por mais que você racionalize a situação. encarando por um lado biologico da coisa dá vontade de ser mais “competitivo” mais atraente etc, e isso é bom até certo momento porque a linha de um estimulo para uma paranóia pode ser realmente tênue. Com relação ao Yôga então, imagina as deusas, shaktis maravilhosas que fazem milagres na cama depois de anos a mais de prática do que eu… poooooooxa quero chegar lá… mas também precisaria de um estimulo positivo (em termos de skinner) e não o negativo de não compartilhar desses momentos absolutamente ma-ra, porque afinal não sou eu, é ela…
      Então a conclusão à qual cheguei é que se tudo isso fosse reciproco, e eu tivesse vontade de ficar com outras pessoas, de ter outros parceiros seria perfeito. claro! os dois estariamos nos divertindo! por isso admiro quem consegue.


      Aqui devo discordar. A matemática é exponencial e não subtração. Sabe aquele grude de começo de relacionamento? Esse grude inicial se alastra por todos os seus relacionamentos paralelos. Eu não sei explicar o porquê, só sei que é assim que acontece comigo. Não é raro eu escutar de uma das shaktis: “você está até mais bonito, a fulana deu um up”.

      Acho que a sua visão sobre o garoto ficar “desgastado” é porquê o exemplo que você tem é do cara que já perdeu o interesse na esposa a séculos, arruma uma amante e não quer saber mais da esposa. A questão é que ele não gasta as energias fora de casa, a questão é que ele não quer mais ficar dentro daquela casa. Acho que é por isso que você tem a impressão que funcione assim. Posso estar errado, mas eu apostaria as minhas fichas na falta de interesse prévio do conjuje. Pois eu mantenho o mesmo interesse que tinha mesmo depois de quase 10 anos de relacionamento. E posso afirmar com todas as letras que um relacionamento novo acende o antigo. Pelo menos é assim que funciona comigo.

      Novamente gostaria de deixar frisado que quando digo relacionamento não estou me referindo a uma transada exporádica. Estou dizendo relacionamento afetivo novo. Emoção, cumplicidade, envolvimento, intimidade… é disso que eu estou me referindo.

      Ai vem um quarto lado… o envolvimento, não ainda não o medo de perder. Quando eu estou com meu parceiro, a quem amo muito, admiro, compartilho meu dia a dia, meus segredinhos etc, estou num momento muito mais especial do que com aquele gostoso que me deu tesão e fui transar, e vice-versa. com meu parceiro tenho a conexão, o diálogo, me sinto “fazendo amor”, um corpo sente o outro existe uma comunhão acima do simples ato sexual. com os outros vai haver todo aquele entusiasmo, tesão do desconhecido etc.. o que tem muitas vantagens.. mas entre eles eu prefiro o precioso ato que faço com toda minha alma. é como comer o mais delicioso dos doces, com parado a um pão que queijo meio seco de padaria. ao mesmo tempo que depois de ter cismado de comer o pão de queijo mesmo assim, aquele doce lá de casa continua mais gostoso e no final de contas o pão de queijo tanto faz, nem vou lembrar depois….mas como fica o coitado do bolo jogado as moscas sozinho no canto dele?


      Que horror de visão!!! Não precisa ser assim. Acho que o que eu falei anteriormente aborda este tópico também.

      Já aconteceu isso contigo? Já sentiu-se bolo seco? Em quais circunstâncias?

      Novamente eu digo: não se preocupar com os envolvidos é imaturidade. Se eu vou ficar com uma menina e ela já tem um relacionamento, ou até mesmo um rolinho, eu tenho que ter certeza que o garoto sabe e que não ficará nenhuma rusga. Se tiver uma possibilidade de mal entendido eu não fico com a garota. Penso muito mais com a cabeça de cima do que com a de baixo. A de baixo já me arranjou muita confusão.

      depois disso tudo, ai sim, vem o medo de perder. nao de perder a posse sobre o outro que vai existir com muita fascilidade através do apego, mas principalmente de perder o tempo e esforço com alguém que em alguns momentos pode não ter te tratado com o mesmo respeito, com confidência, e valor que vc pode ter dedicado a ele, dependendo de quanto vc tenha se envolvido, aberto e entregue a ele.
      Nesse momento penso sobre envolvimento.. que graus existem e até onde valem a pena… tem alguns que podem ser sufocantes. Mas se eu considerar minha capacidade de amar mais realizadora que a capacidade ou benaventura de ser amada, se envolver profundamente com alguém é como ver as estrelas: você sobe sobe sobe, vai pra estratosfera, vê o espaço e é lindo!!! pena que uma hora a gente tenha que cair, bom, pelomenos eu vi as estrelas :)

      e sobre o medo de perder o parceiro, bom, se eu o amo tanto assim claro que quero vê-lo feliz, e nao prende-lo em gaiolas, então vôa vôa passarinho!!! passaros somos vários, você pode ser um beija flor e eu posso ser um cisne!

      um beijo.


      Muito obrigado novamente por ter alargado meu entendimento sobre este tópico. Aguardo ansioso a tréplica para entender ainda mais :)

      bjos

    7. 12
      Joana Santos Says:

      Este texo está muito bom. Claro e conciso.Parabéns :)


      Obrigado pelo apoio!

      Abraços

    8. 11
      yo Says:

      marco, creio que as nossas maos acabam sufocando e lutar comntra essa natureza é a chave… Abrir mão pode garantir a certeza que deveriam estar dentro de nós e nao fora!
      mas não é essa logica que reina na sociedade como um todo…
      Belo artigo

    9. 10
      Anísio Says:

      nossa, ta virando consultorio sentimental, hehe

      comprometimento, pensarei nisso :)


      Tomara que não! eheheh

    10. 9
      Cid Says:

      Olá,
      gostei do seu texto. tbm tenho problemas de ciume. Tudo pra mim pode ser motivo, pra ele me trair. Não gosto dos amigos dele, pq acho q eles poderiam ajuda-los a me enganar. tenho medo q ele possa perder o interesse por mim e se interessar por outro. morro de ciume da ex dele q é linda, penso q ele pode querer matar a saudade a qualquer momento. fico tentando bancar sempre a esperta pra q ele nao pense q sou boba, q to de olho em tudo. namoro há 4 anos. tenho medo q ele possa sair a noite, depois q me leva embora. enfim, sou mto ciumenta mesmo, e vivo imaginando o q pode acontecer, e nao consigo me libertar desse medo do q ele pode fazer, e desse ciumes q abala minhas emoçoes. nunca tive uma prova q as minhas suspeitas estavam certas, e eu nao gostaria de me separar dele. o q fazer??


      Vale realmente a pena estragar a sua saúde e viver na eterna neura? Vale realmente a pena?

      Vença seus medos. É a única forma. Se tem medo de perder, tem que descobrir o porquê. E não vale o manjado e novelístico “pq eu amo ele tanto…”. Amor nunca foi sinônimo de relacionamento longo. Existem pessoas que você ama muito e nem por isso tem medo de perder (sua mãe, seu pai, etc.)

      Por que tem medo de perder? – Essa resposta pode demorar um pouco para ser respondida, mas ao ser te libertará dessa semi-vida feliz… sim, pois viver pisando em ovos não dá para chamar de felicidade né? hehehe

      Abraços e boa sorte.

      http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-ciume/
      http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-faz-bons-relacionametos-afetivos/

    11. 8
      Bruno Mazetto (londrina) Says:

      Muito bom o texto; é claro e vai direto ao ponto. Por vezes sinto dificuldades em colocar este assunto em discussão pois, além disso, sempre penso que monogamia X poligamia é uma coisa, exclusividade X libertinagem sexual é outra, e relacionamento aberto X relacionamento fechado é um terceiro aspecto. Sendo provavelmente possíveis uma porção de configurações ao escolher cada aspecto. É… Somos seres definitivamente confusos.


      Como diz o adágio: para que facilitar se pode complicar? ehehe Abraços!

    12. 7
      ka Says:

      Estou passando um momento muito dificil no meu relacionamento.
      Eu sou muito ciúmenta eu sufoco meu noivo eu sinto que isso está acabando com meu relacionamento de 4 anos.
      Eu não deixo ele sair, conhecer nem conhecer novos amigos.
      eu queria muito mudar esse meu conportamento.
      adorei esse seu texto me ajudou a compreender algumas coisas.


      Por que está com medo de perder? Lembrando que a resposta “por que amo muito ele” não vale, você também ama muito sua mãe e tenho certeza que não tem o mesmo comportamento com ela. Tens que achar o real motivo do seu medo de perder.. pois assim poderá atuar na causa e não no sintoma (ciúme)…

      Abraços e boa sorte. Já leu o post sobre ciúme? http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-ciume/

    13. 6
      Rogério Chimionato Says:

      Este texto ficou muito bom, Marco, parabéns mais uma vez!
      Estava conversando com uma amiga sobre este assunto no último sábado. Ela comentou que a monogamia provavelmente surgiu como uma forma de centralizar o poder na antiguidade. Mais uma confirmação de que o conceito de exclusividade está ligado à posse. Tendo somente uma esposa, a sucessão do reinado estaria garantida. Imagine como seria se o rei tivesse filhos com diversas mulheres diferentes?
      Abraços!
      Rogério Chimionato
      http://www.yogacentrocivico.org/blog


      heheh mas eles tinham! Por isso inventaram regras específicas. Em alguns reinados era o primeiro filho Homem que herdava o trono. Em outros o primeiro filho homem tido exclusivamente com a rainha ehhehe Mas na prática… nunca dava certo, pois os irmào ficavam se matando até que o primo do vizinho da filha do duque que era o único que sobreviveu tomasse o trono ehhehehe

      Abraços

    14. 5
      Ana Rocha Says:

      Já havia passado meses pensando a respeito destas questões, suas considerações iluminaram minhas dúvidas. Adorei o texto!


      Obrigado pelo carinho e link no seu blog :)

      Bjokas

    15. 4
      Marcos Says:

      Oi Marco,

      Uma duvida me veio a mente quando lí seu texto.

      Em relacionamentos abertos, a questão de “com quem vou fazer o que” – com quem vou almoçar, ir ao teatro ou correr num parque – não acaba tornando-se um conflito que desgasta a/as relação/relações?

      Um abraço,

      Marcos de Carvalho Santos


      Isso é partindo do pressuposto de que haja um conflito entre as partes envolvidas. De que uma não goste da outra, ou que ainda não tenha aprendido a lidar com o medo da perda e desconta isso nestas simples ações ficando com ciúme pois fulano foi no parque com outrem além de mim.

      É só pensar assim, e se você fosse correr com um amigo.. será que teria o mesmo peso emocional que gera o desgaste? Não? então qual a diferença? Só consigo ver o medo de perder. A cara metade estaria com medo de perder, estaria em um modo de “competição”, enquanto com o amigo não teria essa competição nem o medo de perder, logo sem enrroscos emocionais.

      Ciúme, irritação, cara feia, são sinais emocionais advindos do medo de perder…

      E se ao invés de ter que optar entre quem vai no que, você desse a liberdade para os envolvidos escolherem por si. “Estou indo no parque correr.. quer ir junto?” Pronto… :) É bem mais descomplicado do que imagina.

    16. 3
      Rômulo Justa Says:

      Grande Marco,

      Gosto demais da delicadeza e perspicácia com que fala de relacionamentos. Devo lhe dizer que já me ajudou bastante, esclarecendo, exemplificando… aliás, admiro tua sinceridade e coragem em mostrar-se como exemplo do que fala, isso é marca dos grandes homens…

      Vi o Nilzo falando de um livro… se fores publicar, reserve o meu!

      E se não for, reserve mesmo assim…

      Abraço


      Pode deixar! Vou publicar sim. Este ano quero terminar toda a produção para poder entrar nos finalmentes de revisões, diagramação, capa, gráfica, traduções, etc.

      Na minha cabeça esse é o ano! Tem que sair já! eheheh

      Abraços e obrigado pelo apoio!

    17. 2
      Lala Says:

      irado Marco!! Adorei este texto!


      Olá Lala! A quanto tempo! Mas logo você estará dando consultoria no Alto da XV e podemos colocar o tricô em dia!

      Bjos!

    18. 1
      Nilzo Says:

      Marcão!
      Este texto proporcionou-me excelentes reflexões no momento. Obrigado por compartilhá-lo!

      {pode deletar esta parte:
      no nono parágrafo, o verbo aprender não foi conjugado.
      no parágrafo antes da Metáfora, o adjetivo a ser empregado é duradouro no lugar de durador}

      Um grande abraço e sucesso no livro. Está ficando sensacional!


      Valeu brother! Fixed.. Valeu pelas correções elas são importantíssimas, já que no atual estágio estou dando toda a atenção a produção e quase nenhuma a retidão ortográfica.

      Abraços e obrigado!

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