Escrito em janeiro 5, 2010 | Categoria: Português, Principal
É quase óbvio que todos nós damos níveis de importância diferente para as coisas. O que se torna obscuro é nossa expectativa de que os outros respondam com o mesmo nível de importância.
O exemplo clássico disso é o casamento. O nível de importância da noiva sempre será diferente em comparação ao noivo. Mais ou menos. Não importa. Sempre será diferente.
É comum vermos noivas estressadas com todos os detalhes e estressadíssimas com o noivo, pois ele não “ajuda” ou mostrar pouco interesse na cor das toalhas da festa, se utilizam rosas ou flores do campo, se será melhor canapés ou brusquetas, etc.
Noivas em fúria seria um bom adjetivo neste cenário. É importante sim para o noivo, contudo em um escopo diferente. Todo enrrosco emocional se dá pela distância no grau de importância que cada nubente dá somado a expectativa que ambos geram em relação ao outro.
Para a noiva, ela espera do noivo um conjunto de atitudes que para ela representam o seu interesse pelo casamento. O noivo por sua vez demonstra seu interesse através de outras ações.
A importância não é uma coisa do plano físico denso. É uma idéia, um conceito traduzido em sentimentos que por sua vez são traduzidos em símbolos no plano mais denso da matéria.
A noiva simboliza o seu interesse através do carinho (emoção) nos detalhes da festa (físico denso). Isso funciona como um protocolo de comunicação no qual há uma mensagem enviada e aguarda-se a resposta.
A noiva enviou a “mensagem” de sua importância e aguarda o retorno na mesma sequência: importancia -> carinho -> detalhes.
A falha na comunicação está no fato do noivo (e qualquer pessoa normal) simboliza esta idéia de “importância” através de outros sentimentos traduzidos em outras ações.
Não fazemos isso só no casamento, fazemos em todos os aspectos da vida. Em cada ação, em cada gesto, em cada ambiente nós simbolizamos idéias, pensamentos em emoções e elas em ações e atitudes.
A cara feia que seu colega de trabalho fez, o café que seu namorado lhe trouxe, o esquecimento de levar o lixo para fora, etc. São todas formas de simbolizar em nossos atos e ações nossos níveis de importância para as coisas.
Eu e minha parceira temos níveis de tolerância diferentes no quesito lixo seco (papeis, embalagens, etc). Eu acho um desperdício de sacolas plásticas jogar fora o lixo que fica ao lado de meu computador enquanto ele não estiver até o topo. Minha linda não compartilha da mesma opinião, para ela é antiestético.
Perceba como ambos simbolizamos conceitos diferentes sobre um simples cesto: estética e desperdício.
O erro de comunicação é ela me considerar um porquinho por eu deixar o cesto ficar até a boca de papeis e eu a considerar uma maníaca de limpeza já que ela fica tirando meu lixo toda hora. O exemplo é bem banal justamente para percebermos como fazemos isso em tudo ao nosso redor.
Ao tirar o lixo toda hora ela está invadindo meu território. Estará fazendo algo que eu considero “errado” que é o desperdício. Ao deixar o lixo transbordar de papeis eu estou invadindo o território dela no conceito estética. Essa invasão é simbolizada pelo nosso emocional como uma irritação que se transforma em palavras ásperas. E logo teremos dois mamíferos brigando por território dando cabeçadas um no outro.
Uma querida amiga diria: “é bicho e não sabe!”. E eu sou forçado a concordar veementemente.
O cerne do problema é a expectativa. Eu já disse a frase que carência estraga tudo, pois bem, carência nada mais é do que expectativa em demasia depois de processada pelo nosso emocional.
A solução deste xadrez é a comunicação verbal. É dizer ao outro o porquê faz ou deixa de fazer tal coisa e o outro respeitar, mas também colocar o seu ponto.
Para saciar o território de ambos, acordamos sobre o cesto ao lado do computador. Todos os lixos secos da casa serão tirados regularmente, o cesto que fica ao lado do meu computador fica lá até eu retirá-lo. Assim respeitamos o território de ambos e vivemos felizes para sempre.
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