Escrito em novembro 27, 2008 | Categoria: Comentários do Yôga Sútra
Para ser sintético: meditar é parar de pensar. Simples assim. A questão é que fomos treinados a pensar, pensar muito, em uma quantidade tal que nos é improvável essa história de pararmos de pensar.
Basta disciplina e constância para que a técnica funcione. Ela é tão simples, tão singela que dá até vergonha de ser tão difícil de conseguir.
O processo todo depende de saturarmos o pensamento com um mesmo estímulo até que a mente pare. Pode ser com uma imagem, com um som ou outras formas mais adiantadas.
Para tal, sente-se com as pernas cruzadas e as mãos em shiva mudrá (o gesto da foto abaixo), coluna impecavelmente ereta, olhos fechados e pouse sua consciência em um objeto. Pode ser qualquer coisa, uma figura geométrica, uma flor, o sol, a lua, a chama de uma vela, o Ômkara, o Ashtánga Yantra, etc. Tente não ficar analisando o objeto, só observe. Exatamente como quando você vê uma paisagem somente contempla, sem ficar analisando que o sol está assim ou assado, que as arvores são verdes, etc. Simplesmente observe, sem analisar.
Dada a natureza instável da nossa mente, você irá dispersar várias vezes. Pensar em outra coisa, a imagem irá sumir, etc. Seu trabalho é retomar a imagem quantas vezes for necessário. Depois de um tempo de treinamento, você deverá intentar incrementar o tempo que consegue manter o objeto na mente. Chegará um momento que inevitavelmente você meditará, só requer treinamento e disciplina.
Nossa mente dá significado a tudo aquilo que percebemos através dos sentidos. Quando olhamos para uma flor, automaticamente este estímulo gera uma série de interações em nossa consciência fazendo nossa mente buscar em nossa memória e categoriza tudo, flor amarela, com esse nome, pois tem esse formato, este cheiro, etc.
Pois bem, quando você parar sua mente, sua percepção do objeto ao qual se concentra não será mais baseada em uma experiência sensorial e sim em um outro tipo de percepção mais abrangente e mais rápida pois não estará limitada pelo tempo, espaço e memória.
Para entendermos melhor, imagine uma maçã que pode ser sentida de forma tátil, oufativa, gustativa, visual e através de alguns registros auditivos do som da maçã sendo cortada por uma faca, cortada pelos seus dentes, etc.
Imaginemos um cego, ele não tem a parcepção visual da maçã. Se ele fosse um azarado e também não pudesse sentir gostos, fosse surdo, não sentisse cheiros e por fim não tivesse nenhum sentido. Para ele a maçã não existiria, mas ela existe.
Essa existência que está além das formas, cheiros e sons pode ser percebida por um outro orgão perceptivo que nos humanos ainda está muito mal desenvolvido e só nos dá vislumbres de percepções.
A meditação é justamente parar a máquina barulhenta da mente para que então este outro orgão perceptivo possa entrar em funcionamento e nos deixar perceber a “existência” daquilo que nos cerca e de nós mesmos sem a influência dos sentidos, lógica e razão. Isso é meditar.
Se não lembrar de nenhuma explicação deste texto basta lembrar desta: meditar é parar de pensar, ponto!
» Arquivado em Comentários do Yôga Sútra
julho 12th, 2010 at 1:04
Não ia comentar, mas vc não escreveu isso como quem escreve só por escrever. Seu texto foi muito esclarecedor, Gracias.
Obrigado pelo elogio. Talvez você goste desta aula sobre meditação (teórica de duas horas e gratis…) http://metododerose.org/web_classes.php?cod_video=68
Abraços
janeiro 13th, 2009 at 19:39
[...] É comum o leigo misturar as duas coisas. Veja o que é meditar. [...]
dezembro 1st, 2008 at 17:47
Gostei muito desse exemplo da maça também. Ótimo texto!
Obrigado pelo apoio!
Abraços
novembro 29th, 2008 at 18:12
O duro é convencer a mente a ficar quieta
mas se fosse facil demais nem teria graça né?
novembro 29th, 2008 at 15:35
Nossa, nunca tinha pensado desta forma, o exemplo da maçã foi muito interessante. De qualquer forma, não use este yantra se estiver começando:
http://edeuscriouamulher.blogs.sapo.pt/tag/scarlett+johansson
novembro 28th, 2008 at 9:27
caracas que legal esse negócio da maça, teve uma vivência em um festival que tinha algo assim, muito bom, agora a imagem de Shiva é a imagem, valeu
novembro 27th, 2008 at 15:03
O texto é muito legal mas o que eu curti mesmo foi essa imagem de Shiva. Nunca tinha visto.
novembro 27th, 2008 at 13:31
Opa! Já tava estranhando alguns dias sem posts! =)
Mas, falando do tópico, olha que coincidência. Minha instrutora, ontem mesmo, me passou uma definição genial para meditação: quando você pensa, sempre é no passado, ou no futuro. Pode ser apenas um segundo atrás, ou um segundo a frente, mas é sempre passado ou futuro. Quando você medita, você está exatamente na linha que divide esses dois estados.
Sensacional! =)
novembro 27th, 2008 at 12:49
[...] Entenda o que é meditar depois sente-se, visualize um triângulo de forma bem nítida. Mantenha essa imagem na mente por um minuto sem deixar o pensamento dispersar. No dia seguinte faça com dois minutos, no outro dia três até chegar em 20 minutos. Quando chegar a este tempo troque por uma técnica mais adiantada. [...]